Laudo, tratamento e acolhimento: a rota que a nova secretaria promete destravar no Rio
Vice-governadora eleita, homenageada no Encontro G10 no Museu Naval, ela comandará a Secretaria de Estado da Inclusão e da Mulher a partir de 2027 — e adianta que a política começará pelo laudo, passará pelo tratamento e chegará às famílias, sobretudo às mães solo de autistas

A homenagem no Museu Naval
O Jornal da República esteve, na manhã desta sexta-feira (30), no Encontro G10 Valores e Negócios, no Museu Naval, na Praça XV, no Centro do Rio, evento de Liderança Empreendedora Feminina que reuniu empresárias e lideranças políticas. Entre as homenageadas estava a vice-governadora eleita do Rio de Janeiro, Fernanda Louback (PL), que falou à reportagem sobre o que pretende fazer na pasta que vai comandar a partir de janeiro.
A entrevista começou pela trajetória: uma carreira construída na assistência social e na defesa das pessoas com deficiência — pauta que, segundo ela, deixou de ser bandeira eleitoral para se tornar projeto de governo. “Eu pretendo acabar com a exclusão no estado do Rio, trazer a inclusão para as pessoas com deficiência, para as pessoas que precisam de apoio”, afirmou, antes de anunciar a estrutura que terá em mãos: “Eu vou estar à frente da pasta da inclusão e da mulher”.
Da porta de entrada ao acolhimento: o laudo como começo
Louback desenhou um percurso de atendimento em etapas, do documento ao cuidado continuado. “A gente vai inserir políticas públicas para eles. A gente vai cuidar desde o laudo, o tratamento, cuidar das famílias, cuidar da dignidade da pessoa humana.” A escolha de começar pelo laudo não é retórica: é o gargalo mais conhecido por quem busca atendimento no estado — a perícia que reconhece a deficiência e destrava o acesso a benefícios, terapias e vagas.
A vice-governadora eleita reforçou o compromisso pessoal com a causa e pediu confiança: “Vocês podem ter certeza: como vice-governadora e secretária dessa pasta, eu vou olhar com todo o afinco para essa causa”. Na prática, ela herdará uma secretaria criada na transição, com orçamento próprio e atribuição de articular políticas para mulheres e pessoas com deficiência — estrutura confirmada no decreto de transição publicado no Diário Oficial em 14 de outubro pelo governador em exercício, Ricardo Couto.
As mães de autistas no centro da política
O trecho mais detalhado da entrevista foi dedicado às famílias atípicas — tema que Louback conhece na vida real: ela é mãe de duas meninas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. “Os autistas, então, as mães, principalmente de autistas, terão um acolhimento. Terão acolhimento. A gente vai cuidar dessas mães, né? A mãe, ela precisa estar de pé pro filho dela estar de pé.”
A frase explica a lógica do programa que ela pretende montar: em vez de tratar apenas o paciente, cuidar de quem cuida. “Além de cuidar do filho, a gente vai cuidar dessas famílias, dessas mães, principalmente que 80% são mães solo.” O dado sobre a chefia feminina nesses lares é o alicerce do argumento — e conecta a pauta da deficiência à pauta das mulheres, exatamente a fusão que a nova secretaria propõe.
Segurança pública: “o gargalo do estado do Rio”
Questionada sobre a violência — tema que trabalhou em Niterói, sobretudo no período em que foi vereadora —, Louback foi direta ao apontar o problema central do estado. “A segurança pública é o gargalo do estado do Rio. A gente tem como governador do estado um policial que vai olhar para esse problema com todo o afinco.”
A referência é a Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj eleito governador após a retotalização dos votos do primeiro turno, confirmada em 10 de outubro, quando sua chapa atingiu 50,88% dos votos válidos. A aposta dela é de que a formação policial do novo governador se traduza em resultado: “Ano que vem a gente vai começar com tudo. Podem garantir que o estado do Rio de Janeiro vai estar em muito boas mãos.” A entrevista foi encerrada com o selo do evento: “Fernanda Louback, homenageada aqui na Marinha. Última hora, notícia levada a sério”.
O que a nova secretaria herda
O desafio que Fernanda Louback recebe é de escala estadual e de execução difícil. O Rio de Janeiro convive com população em situação de rua concentrada no centro da capital, filas de perícia para laudos de deficiência, rede de tratamento especializado insuficiente no interior e uma estrutura de proteção à mulher ainda marcada por subnotificação e por abrigos em número insuficiente para a demanda.
A criação de uma pasta exclusiva com orçamento próprio é a resposta institucional que o novo governo escolheu para dar visibilidade ao tema — e o teste a que a vice-governadora será submetida nos primeiros cem dias. A vantagem política é o alinhamento com a base conservadora que a elegeu e com a pauta das famílias atípicas, hoje capilarizada em todo o estado. A dificuldade é a mesma de sempre: transformar discurso de acolhimento em fila que anda, laudo que sai e tratamento que chega.
A entrevista não teve a palavra “conclusão”, mas teve encerramento: a promessa de que a dignidade da pessoa humana será o norte da pasta. Para as mães que esperam um laudo há meses, será a diferença entre um anúncio e uma vida. E é exatamente aí que a nova secretaria será medida.

Biografia: Fernanda Louback
Fernanda Anchieta Louback, 46 anos, é a vice-governadora eleita do Estado do Rio de Janeiro na chapa de Douglas Ruas (PL) e comandará, a partir de 2027, a Secretaria de Estado da Inclusão e da Mulher — pasta criada na transição com orçamento próprio para articular políticas voltadas às mulheres e às pessoas com deficiência. Niteroiense, é educadora física e empresária, formada com ensino superior completo, e construiu uma trajetória que atravessa o esporte, o comércio e a mobilização social antes de chegar à política: foi modelo e venceu o concurso Miss Rio de Janeiro em 2003, representando Nova Friburgo. Mãe de duas meninas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista, transformou a experiência pessoal em pauta pública e é reconhecida como uma das principais vozes da causa das famílias atípicas no estado.
Presidiu o PL Mulher de Niterói e elegeu-se vereadora na cidade em 2024, com 3.503 votos, tornando-se no século XXI a primeira mulher de um partido declaradamente conservador a conquistar uma cadeira na Câmara niteroiense. No Legislativo municipal, presidiu a Comissão da Pessoa com Deficiência e apresentou projetos de lei voltados ao atendimento multidisciplinar de autistas, com atuação reconhecida pela defesa das famílias atípicas.
Em 2026, trocou a disputa por uma vaga na Alerj pela candidatura ao Executivo estadual, integrando a chapa de Douglas Ruas como vice. Com a retotalização dos votos confirmada pelo TSE em 10 de outubro de 2026, assumirá o segundo cargo mais alto do governo fluminense e a missão de transformar a inclusão em política pública concreta — do laudo ao tratamento, das famílias às mães solo, com a promessa de que a dignidade da pessoa humana será o eixo do novo governo.

Por Ralph Lichotti – Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa – ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa – ABI – MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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Fontes
Vídeo “Jornal da República e Última Hora” — Entrevista com Fernanda Louback no Encontro G10, Museu Naval, Rio de Janeiro, transcrição integral com marcação de tempo (30/10/2026) | G1 — “Fernanda Louback: quem é a ex-miss, mãe atípica e amiga de Michelle Bolsonaro prestes a virar vice-governadora do RJ” (08/10/2026) | Valor Econômico — “‘Chega de exclusão para pessoas atípicas’, diz vice-governadora eleita do Rio de Janeiro” (10/10/2026) | O Globo — “Quem é Fernanda Louback, vereadora de Niterói eleita vice-governadora na chapa de Douglas Ruas” (08/10/2026) | Gazeta do Povo — “Quem é a amiga de Michelle Bolsonaro eleita vice-governadora do RJ” (10/10/2026) | Correio Braziliense — “De miss a vice-governadora: conheça a trajetória de Fernanda Louback no Rio” (09/10/2026) | A Tribuna — “Couto oficializa transição para governo de Douglas Ruas” (14/10/2026) | A Tribuna — “A porta-voz dos autistas na Câmara de Niterói” (30/08/2025) | O Globo Niterói — “‘Niterói é o Nordeste do Rio’, diz vereadora eleita Fernanda Louback” (13/10/2024) | Ultima Hora Online — “G10 e Valores e Negócios anuncia o encontro de Liderança Empreendedora Feminina no Museu Naval em 30 de outubro” (21/10/2026)
Por Ultima Hora em 30/10/2026
