O sacerdote italiano que colabora com o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano em pautas sobre migração e direitos humanos, padre Paolo Parise, esteve esta semana na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília, participando do Encontro Anual de Bispos das Comissões para a Ação Sociotransformadora (Cepast), para o Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (CEETH) e para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM).
“Eu participei deste encontro e me chamou a atenção a vitalidade da Igreja brasileira, especialmente ver tantos bispos comprometidos com a proteção e a defesa dos direitos humanos a partir da perspectiva da fé”, disse.
O padre, da Congregação dos Missionários de São Carlo, reforçou que o Papa Leão falou duas vezes, em sua carta encíclica Magnifica Humanitas, da relação entre fé e direitos humanos. “Este tema, portanto, não é algo estranho à missão da Igreja que considera o ser humano como um todo. Na Igreja, falamos de desenvolvimento humano integral: toda a pessoa e suas dimensões”, disse.
O número de migrantes e refugiados no Brasil, cerca de 2 milhões e meio de pessoas, também chamou a atenção do representante do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. “A Igreja, em muitos lugares do Brasil, deu respostas na acolhida, na integração, na defesa dos direitos e também na dimensão espiritual aos migrantes e refugiados, com celebrações em inglês e em outros idiomas para que eles possam vivenciar a sua fé”, disse.
Reflexão e pesquisa
No Dicastério, o sacerdote atua na Segunda Sessão cujo papel é promover a reflexão e a pesquisa, produzir materiais e orientações pastorais sobre o trabalho com os migrantes, seleção de boas práticas em vários continentes e acompanhar todas as temáticas ligadas à migração e refúgio. “A gente busca estar a serviço, oferecendo o nosso melhor às Igrejas locais e a serviço do Santo Padre”, disse.
Um dos grandes desafios a atualidade, segundo ele, é garantir a dignidade do migrante e do refugiado. “O Papa Leão tem insistido muito nisto. Nas viagem que fez às ilhas canárias. Infelizmente existem algumas tendências do ser humano em excluir e dizer porque passou a fronteira e não tem documento perdeu a dignidade. Para o Santo Padre a dignidade do ser humano vem antes de tudo. Este é um grande desafio da atualidade”, afirmou.
Padre Paolo atuou como missionário no Brasil por 28 anos e trabalhou na baixada Santista, na periferia Sul em São Paulo e, em seus últimos anos no país, na Missão Paz, no Centro de São Paulo, trabalhando com migrantes e refugiados. O padre, que se considera meio brasileiro e meio italiano, disse que o grande aprendizado que fez foi o de incorporar o jeito de ser Igreja no Brasil. “Um dos grandes aprendizados que fiz aqui foi o jeito acolhedor de viver a fé, o jeito de uma Igreja acolhedora”.
