A Unimed Goiânia apresentou uma segunda notícia-crime à Polícia Civil contra o Instituto Kids Centro de Reabilitação por suspeitas de irregularidades no faturamento de terapias destinadas a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo auditoria da cooperativa, atendimentos realizados em uma clínica não credenciada em Trindade teriam sido registrados no sistema como se tivessem ocorrido na unidade credenciada em Goiânia.
A análise de documentos referentes a 2023 e 2024 identificou 530 cobranças com inconsistências, que totalizam R$ 57.280. Desse total, 403 cobranças, equivalentes a R$ 43.730, dizem respeito a procedimentos sem registro de execução ou que, conforme a auditoria, não teriam sido realizados.
O levantamento também apontou sessões cobradas sem evolução registrada nos prontuários, divergências entre os procedimentos faturados e as assinaturas de comparecimento, cobranças em duplicidade, guias sem assinatura dos pacientes e lançamentos acima da quantidade autorizada. As suspeitas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.
Ao Jornal Opção, representantes da clínica negaram irregularidades e afirmaram que irão aguardar a investigação dos órgãos competentes.
O caso de Trindade, segundo a Unimed, apresenta um padrão semelhante ao identificado em uma denúncia anterior, apresentada em 18 de junho de 2026, envolvendo atendimentos realizados na clínica For Kids, em Aparecida de Goiânia. Na ocasião, a cooperativa apontou que procedimentos feitos fora da rede credenciada teriam sido faturados em nome do Instituto Kids.
Para a Unimed Goiânia, as suspeitas não se limitam ao impacto financeiro, pois envolvem crianças que necessitam de acompanhamento terapêutico contínuo. A cooperativa afirma que, quando um atendimento ocorre fora da rede credenciada e é registrado como realizado em outro estabelecimento, surgem dúvidas sobre a execução do procedimento, os profissionais responsáveis e as condições em que a terapia foi oferecida.
“Estamos falando de crianças em tratamento contínuo, que dependem de terapias sérias e bem acompanhadas. Quando uma sessão é cobrada sem registro de que aconteceu, ou quando o atendimento é feito em um local que não passou pelo nosso credenciamento, a família fica sem nenhuma garantia sobre o cuidado que o filho está recebendo. Combater esse tipo de prática é proteger os pacientes”, afirma o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Goiânia, Francisco Rebouças.
O diretor também justificou o encaminhamento de uma nova denúncia à Polícia Civil pela identificação de possíveis irregularidades semelhantes em outro município. “Quando identificamos que o mesmo padrão se repetiu em outra cidade, não tivemos dúvida em levar o caso novamente às autoridades. Cada real desviado em cobranças indevidas é um recurso que deixa de ir para o tratamento de quem precisa”, declarou.
Unimed pede perícia em 530 cobranças
Na nova notícia-crime, a cooperativa solicita a realização de perícia técnica sobre os 530 itens identificados na auditoria. O pedido prevê o cruzamento das cobranças com autorizações, agendas, controles de presença, assinaturas, prontuários e informações sobre os profissionais que teriam realizado os atendimentos.
A Unimed também pede que sejam ouvidos os responsáveis pela auditoria e pelo faturamento, além dos profissionais relacionados às guias. O depoimento de familiares dos pacientes poderá ser solicitado, caso seja considerado necessário durante a investigação.
A apuração deverá esclarecer a natureza de cada inconsistência e identificar eventuais responsabilidades. Até o momento, as informações apresentadas pela cooperativa correspondem a suspeitas apontadas em auditoria e encaminhadas às autoridades, não a irregularidades definitivamente comprovadas pela Justiça.
Primeira denúncia envolveu clínica em Aparecida de Goiânia
A primeira notícia-crime contra o Instituto Kids foi apresentada em 18 de junho de 2026. De acordo com a Unimed Goiânia, a auditoria identificou atendimentos realizados na clínica For Kids, em Aparecida de Goiânia, que não integrava a rede credenciada, mas que teriam sido registrados e faturados em nome do Instituto Kids.
A denúncia inicial também apontou divergências entre as guias lançadas no sistema, os registros de agendamento e as informações dos prontuários. A nova comunicação à Polícia Civil amplia a apuração para atendimentos supostamente realizados em Trindade.
Ao Jornal Opção, representantes da clínica negaram irregularidades e afirmaram que irão aguardar a investigação dos órgãos competentes.
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