InícioBrasilTribunais do Centro-Oeste debatem direitos humanos e Justiça Interamericana no TJMS

Tribunais do Centro-Oeste debatem direitos humanos e Justiça Interamericana no TJMS

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Decisão de corte internacional de direitos humanos não pode ficar como referência distante do dia a dia dos fóruns. Foi com esse recado que o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), desembargador Dorival Renato Pavan, abriu na quinta-feira (15), em Campo Grande, um encontro que reúne os tribunais das quatro unidades da federação do Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

“As decisões proferidas no âmbito do Sistema Interamericano, os parâmetros internacionais de proteção e o controle de convencionalidade não podem permanecer como referências abstratas ou distantes da realidade cotidiana da jurisdição”, afirmou Pavan.

O 1º Encontro das Unidades de Monitoramento e Fiscalização (UMFs) da Região Centro-Oeste termina nesta sexta-feira (16). As UMFs são os setores dos tribunais que acompanham se o Brasil cumpre o que a Corte Interamericana de Direitos Humanos determina. A pauta inclui também o controle de convencionalidade, a análise que o juiz faz para saber se uma lei brasileira é compatível com os tratados de direitos humanos assinados pelo país.

O encerramento prevê a elaboração da Carta de Campo Grande, documento de cooperação entre as unidades participantes. Pavan disse esperar que o encontro dê início a uma agenda comum entre as UMFs da região, com atuação conjunta dos tribunais diante de dificuldades parecidas. As informações são da assessoria do TJMS, que divulgou a programação do encontro no início do mês.

Saber que a convenção existe não basta

A distância entre o que os tratados estabelecem e o que acontece no dia a dia dos fóruns foi o tema do corregedor-geral de Justiça, desembargador Ruy Celso Barbosa Florence. Ele apresentou o programa Conexão Direitos Humanos, criado no TJMS para aproximar as normas internacionais do trabalho de magistrados, advogados e demais profissionais do sistema de Justiça.

O diretor-geral da Escola Judicial de Mato Grosso do Sul (Ejud-MS), desembargador Marco André Nogueira Hanson, defendeu que a formação de juízes e servidores vá além do conteúdo das normas.

“Uma coisa é conhecer a existência de uma convenção internacional ou de uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Outra é compreender seu alcance e suas consequências e a maneira como esses parâmetros se relacionam com a atividade jurisdicional que desenvolvemos diariamente”, disse Hanson.

Ele citou ainda a troca de experiências entre os tribunais como chance de conhecer outras formas de trabalho e avaliar mudanças na rotina judicial.

Desigualdade pede ouvir quem costuma ser ignorado

O conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Fábio Francisco Esteves ligou a proteção dos direitos humanos à responsabilidade dos magistrados diante da desigualdade e da discriminação. Segundo ele, a Justiça precisa compreender as diferenças e ouvir pessoas cujas demandas costumam ser ignoradas.

Esteves também defendeu que cada UMF leve em conta as características da própria região, como o desafio de conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e respeito à dignidade humana.

A abertura, no Plenário do Tribunal Pleno, teve ainda a participação do vice-presidente do TJMS, desembargador Eduardo Machado Rocha. Em seguida, o professor Valerio de Oliveira Mazzuoli deu palestra sobre o Estatuto da Magistratura Brasileira Interamericana.

Nas atividades técnicas, o tribunal apresentou o Portal UMF/TJMS e fascículos produzidos pela unidade, com decisões da Corte Interamericana e material de consulta para ajudar magistrados a aplicar as normas internacionais. O tema já vinha sendo discutido em MS: em maio, a OAB/MS e a Corregedoria do TJMS se reuniram para incentivar o uso desses precedentes no Judiciário do Estado.

Entenda
O encontro das UMFs no TJMS

O quê
1º Encontro das Unidades de Monitoramento e Fiscalização (UMFs) da Região Centro-Oeste

Quando
Quinta-feira (15) e sexta-feira (16) de outubro de 2026

Onde
Plenário do Tribunal Pleno do TJMS, em Campo Grande

Quem
Representantes dos tribunais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal

Resultado
Carta de Campo Grande, documento de cooperação entre as unidades, prevista para o encerramento, segundo o TJMS

+ Quem falou na abertura

Dorival Renato Pavan, desembargador e presidente do TJMS

Ruy Celso Barbosa Florence, desembargador e corregedor-geral de Justiça

Marco André Nogueira Hanson, desembargador e diretor-geral da Escola Judicial de MS (Ejud-MS)

Fábio Francisco Esteves, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Valerio de Oliveira Mazzuoli, professor, com palestra sobre o Estatuto da Magistratura Brasileira Interamericana

+ Entenda os termos

Corte Interamericana de Direitos Humanos: tribunal internacional, com sede na Costa Rica, que julga países do continente acusados de violar direitos humanos. O Brasil aceita a jurisdição da corte e pode ser condenado por ela.

UMF: Unidade de Monitoramento e Fiscalização. Setor dos tribunais que acompanha se as decisões da Corte Interamericana estão sendo cumpridas.

Controle de convencionalidade: análise feita pelo juiz para saber se uma lei brasileira é compatível com os tratados de direitos humanos assinados pelo país.

Sistema Interamericano: conjunto formado pela Comissão e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligadas à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Com informações do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

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