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quando cada número tem um rosto – Aliança de Misericórdia

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17 de outubro é o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, uma data que nos convida a olhar para uma realidade que não pode ser reduzida a estatísticas. A pobreza envolve falta de renda, mas também pode significar ausência de moradia, alimentação, saúde, educação, oportunidades, vínculos e, tantas vezes, da própria possibilidade de ser reconhecido e ouvido. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 1992 e é celebrada anualmente em 17 de outubro. Sua origem remonta a 1987, quando milhares de pessoas se reuniram em Paris para lembrar as vítimas da pobreza extrema, da fome e da violência e afirmar que a pobreza é também uma questão de direitos humanos. Para a Aliança de Misericórdia, essa data toca diretamente o coração de sua missão: evangelizar para transformar e tornar concreta a misericórdia de Deus junto aos mais pobres, material e espiritualmente. E os números do último Relatório de Atividades ajudam a dimensionar essa presença.

Mais de 1 milhão de pessoas alcançadas pela evangelização

Em 2025, a Aliança de Misericórdia esteve presente em 10 países e 44 cidades brasileiras, desenvolvendo 32 programas e projetos sociais. Ao longo do ano, foram realizadas 8.029 ações evangelizadoras, com 1.334.734 pessoas alcançadas pela evangelização. Mas um número como 1.334.734 pode impressionar e, ao mesmo tempo, esconder aquilo que realmente importa. Por isso, o próprio Relatório de Atividades faz um convite: olhar para além das estatísticas e enxergar, por trás de cada número, um rosto, uma história e uma vida tocada pelo amor. É essa perspectiva que muda a maneira de compreender a pobreza. Não estamos falando apenas de “pessoas vulneráveis”. Estamos falando de pessoas. Pessoas com nome, história, sonhos, feridas, capacidades e uma dignidade que não desaparece diante da falta de recursos.

251.067 atendimentos a pessoas em situação de rua

Entre os dados apresentados no relatório, um dos números que mais chama atenção é o de 251.067 atendimentos a pessoas em situação de rua realizados pela Aliança de Misericórdia em 2025. Esse número representa milhares de encontros. Encontros que podem começar com uma refeição, um banho, uma escuta, um encaminhamento ou simplesmente com alguém que decide parar e olhar. Na Casa Restaura-me, localizada no Brás, em São Paulo, cerca de 500 pessoas passam diariamente pelo espaço em busca de acolhimento, escuta, cuidados básicos e encaminhamentos sociais. Ali, a proposta não é apenas oferecer assistência emergencial. O trabalho também busca reconstruir caminhos de autonomia e reinserção social. Em 2025, por exemplo, quatro turmas do curso de Eletricista/Instalador foram formadas em parceria com o SENAI e apoio da Fundação Prada, ampliando possibilidades de qualificação profissional, geração de renda e acesso ao mercado de trabalho. Porque combater a pobreza também significa criar condições para que uma pessoa possa reconstruir sua própria história.

1.178.367 refeições servidas

Existe uma dimensão da pobreza que é imediata: a fome. Em 2025, a Aliança de Misericórdia registrou 1.178.367 refeições servidas. Uma refeição parece algo simples para quem tem acesso diário à comida. Para quem não sabe quando será sua próxima refeição, porém, ela pode significar muito mais. Pode ser alívio. Pode ser acolhimento. Pode ser o primeiro passo para uma conversa. Pode ser a oportunidade de alguém perceber que ainda existe um lugar onde sua presença importa. É por isso que, na missão da Aliança, dar pão e oferecer esperança caminham juntos.

2.388 famílias atendidas

A pobreza também alcança famílias inteiras. O relatório registra 2.388 famílias atendidas ao longo de 2025. No SASF Centro Maria Paola, em São Paulo, por exemplo, aproximadamente 130 famílias foram acompanhadas em 2025, com ações voltadas à garantia de direitos, fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, segurança alimentar, capacitação e autonomia. Essa realidade nos recorda que combater a pobreza não significa apenas entregar alguma coisa a quem precisa. Significa também caminhar junto. Escutar. Orientar. Fortalecer vínculos. Criar oportunidades. Ajudar uma família a recuperar aquilo que a vulnerabilidade pode ter enfraquecido: sua capacidade de sonhar e construir um futuro.

Crianças, adolescentes e adultos: cuidar da vida em todas as fases

O trabalho da Aliança também alcançou 1.370 crianças e adolescentes e 1.756 adultos acolhidos, conforme os dados gerais do relatório. São diferentes histórias e diferentes necessidades. Algumas pedem proteção. Outras, educação. Algumas precisam de alimentação. Outras, tratamento, documentação, trabalho ou reinserção familiar. Todas, porém, precisam de algo que não pode ser medido facilmente: ser reconhecidas em sua dignidade.

O que o Papa Leão XIV nos ensina sobre os pobres?

Essa reflexão encontra uma forte sintonia com o magistério do Papa Leão XIV. Em sua primeira mensagem para o Dia Mundial dos Pobres, em 2025, o Papa afirmou que “os pobres não são objetos da nossa pastoral, mas sujeitos criativos”, capazes de estimular a Igreja a encontrar novas formas de viver o Evangelho. Essa perspectiva é muito importante. O pobre não é apenas alguém que recebe. É alguém que tem algo a oferecer. Tem uma história. Tem uma experiência. Tem uma voz. Tem uma sabedoria. Tem uma dignidade que não depende de sua condição econômica. Na mesma mensagem, Leão XIV recordou que os pobres devem estar no centro da ação pastoral da Igreja, não apenas em sua dimensão caritativa, mas também naquilo que a Igreja celebra e anuncia. Isso significa que a relação com os pobres não pode ser reduzida a uma ação pontual de solidariedade. É um encontro que transforma os dois lados. Evangelizamos os pobres e também somos evangelizados por eles.

“Uma Igreja de pobres, todos preciosos”

Em agosto de 2025, durante uma celebração em Albano Laziale, Leão XIV afirmou: “Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos, todos sujeitos, cada um portador de uma Palavra singular de Deus.” E acrescentou: “Derrubemos os muros.” A fala do Papa ilumina de maneira especial o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Porque um dos grandes desafios não é apenas combater a falta de recursos. É combater os muros da indiferença. Muros que fazem com que algumas pessoas sejam vistas como invisíveis. Muros que nos fazem passar diante de alguém em situação de rua sem perguntar seu nome. Muros que transformam a pobreza em culpa. Muros que nos fazem acreditar que determinadas vidas valem menos. Para Leão XIV, cada pessoa é preciosa. E essa verdade está no centro do Evangelho.

Erradicar a pobreza é também restaurar a dignidade

A Organização das Nações Unidas reforça que a erradicação da pobreza está relacionada à dignidade, justiça e pertencimento, e não apenas à renda. Em 2025, a ONU destacou a necessidade de enfrentar os maus-tratos sociais e institucionais sofridos por pessoas em situação de pobreza e fortalecer políticas de saúde, moradia, trabalho, proteção social, segurança alimentar e educação. A perspectiva cristã acrescenta uma dimensão fundamental: cada ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, quando a Aliança de Misericórdia acolhe uma pessoa em situação de rua, atende uma família vulnerável, oferece uma refeição, promove uma formação profissional ou acompanha alguém em seu processo de reconstrução, não está apenas respondendo a uma necessidade social. Está afirmando: “Sua vida importa.”

Quando os números se transformam em histórias

O Relatório de Atividades traz uma frase que pode ser o coração desta reflexão: “Atrás de cada número há rostos, lágrimas, vidas restauradas, esperança e gratidão.” É isso que precisamos recordar neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. 251.067 atendimentos não são apenas um número. São encontros. 1.178.367 refeições não são apenas refeições. São gestos concretos de cuidado. 2.388 famílias não são apenas uma estatística. São histórias que continuam sendo escritas. 1.334.734 pessoas alcançadas pela evangelização não são apenas um indicador. São pessoas que, de alguma maneira, foram alcançadas por uma mensagem de esperança.

A misericórdia começa quando deixamos de olhar para o pobre de longe

Erradicar a pobreza é um desafio que exige políticas públicas, justiça social, oportunidades, educação, trabalho, moradia, saúde e segurança alimentar. Mas também exige uma mudança no nosso olhar. Porque ninguém deveria ser reduzido à sua pobreza. Ninguém deveria ser definido pela rua onde dorme. Pela roupa que veste. Pelo passado que carrega. Pelas escolhas que fez. Ou pelas oportunidades que não teve. O Papa Leão XIV nos recorda que os pobres são sujeitos, pessoas preciosas e portadoras de uma palavra que também pode transformar a Igreja. E a experiência da Aliança de Misericórdia confirma isso todos os dias. A misericórdia não olha de cima para baixo. A misericórdia se aproxima. Escuta. Acolhe. Caminha junto. E acredita que uma vida pode recomeçar. Neste 17 de outubro, que o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza não seja apenas uma data no calendário. Que seja um convite para derrubarmos os muros que nos separam dos mais pobres. Para aprendermos a reconhecer seus rostos. Para ouvirmos suas histórias. Para partilharmos nossos dons. E, sobretudo, para compreendermos que cuidar da dignidade de cada pessoa é também uma maneira concreta de anunciar o amor misericordioso de Deus. Porque, como recordam os fundadores da Aliança de Misericórdia no Relatório de Atividades, por trás de cada ação existem vidas que foram acolhidas e abraçadas. E onde houver um pobre que precisa de esperança, a misericórdia precisa chegar.

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