O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Barueri apresentou, na quarta-feira (14), em Coimbra, Portugal, um trabalho sobre o uso do grafite no acompanhamento de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. A experiência foi selecionada para o XI Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra e aborda como a arte pode ampliar a expressão e a participação dos jovens.
Intitulado “Arte e Cidadania – O Grafite como Ferramenta de Ressocialização e Direitos Humanos no Creas de Barueri”, o estudo foi desenvolvido na Diretoria Técnica de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Sads).
A autora da pesquisa e coordenadora do Creas, Joana Darc Cesar de Melo, apresentou a iniciativa. As oficinas atendem adolescentes encaminhados pela Justiça após cometerem atos infracionais, para cumprir medidas em meio aberto, sem internação.
Oficina integra acompanhamento das famílias
Segundo Joana, o serviço conta com profissionais dedicados ao atendimento dos adolescentes e de seus familiares.
“Em Barueri, o Creas tem um diferencial porque existe uma equipe exclusiva para o Serviço de Medidas Socioeducativas, composta por assistentes sociais, psicólogos, coordenação própria e orientador sociojurídico. O acompanhamento é realizado por meio de atendimentos individualizados com os adolescentes e suas famílias, quando se inicia a construção do PIA, o Plano Individual de Atendimento”, explicou Joana.
A oficina de grafite é uma das atividades oferecidas dentro desse plano. Os encontros acontecem duas vezes por semana e incluem conversas sobre direitos humanos, história do hip-hop e assuntos sugeridos pelos participantes.
“O grafite não substitui o acompanhamento socioeducativo, mas o potencializa. O atendimento é realizado por meio da escuta qualificada e da construção do PIA, dentro do qual a oficina é oferecida. Durante as atividades, realizadas duas vezes por semana, os adolescentes e jovens têm outras oportunidades de interação e troca de experiências. Muitas vezes, são discutidos temas como a história do hip-hop, os direitos humanos e outros assuntos trazidos pelos próprios participantes”, detalhou.
Telas estão expostas em espaços públicos
De acordo com a coordenadora, a equipe observou maior participação nas atividades, menor resistência ao atendimento e mais proximidade com os adolescentes. Ela também relata que as oficinas ajudam os jovens a expressar sentimentos e ideias e a reconhecer suas habilidades.
As telas produzidas nos encontros estão expostas em espaços públicos de Barueri, principalmente em secretarias municipais.
Ao encerrar a apresentação, Joana afirmou: “A arte gera expressão, participação, protagonismo e cidadania. Mais do que pintar telas e ocupar espaços, a proposta é abrir possibilidades. A socioeducação não pode se limitar ao cumprimento formal da medida”.
