O “Prêmio Rubens Paiva, Memória, Verdade, Justiça” será concedido em solenidade na próxima quinta-feira (3), às 18h, na Sala Adão Pretto da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
A premiação já está em sua 2ª edição, concebida em assembleia da Associação de Ex-Presos e Perseguidos Políticos (AEPPP/RS), no dia 12 de abril de 2025, com o propósito de celebrar pessoas e entidades que se destacaram na luta contra a ditadura e, bem como, na permanente defesa da democracia e dos Direitos Humanos.
No ano passado, o Brasil de Fato RS recebeu o prêmio na modalidade Meios de Comunicação e Comunicadores.

O prêmio será concedido em diferentes modalidades. Na categoria Ex-Presos e Perseguidos Políticos, serão homenageados Flávio Koutzii e Flávio Tavares. Em Defensores dos Direitos Humanos, o reconhecimento será destinado ao ex-prefeito, ex-governador e ex-ministro da Justiça Tarso Genro.
Na categoria Entidades de Direitos Humanos, o prêmio será concedido à Comissão Memória, Verdade e Justiça Enrique Serra Padrós, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já na modalidade Meios de Comunicação e Comunicadores, a homenagem será para o Blog Esquina Democrática. Na categoria Juventude, o prêmio será entregue à atriz e diretora de teatro Marta Haas.
O presidente da AEPPP/RS, Sérgio Bitencourt, destaca que, neste ano, a modalidade Ex-Presos e Perseguidos Políticos foi, excepcionalmente, destinada a dois homenageados cujas trajetórias ultrapassaram fronteiras. Ele também explicou como ocorreu a escolha dos premiados.
As indicações foram recebidas por meio dos canais de comunicação da Associação e, posteriormente, analisadas por uma comissão formada pelas entidades promotoras do Prêmio: Associação de Ex-Presos e Perseguidos Políticos (AEPPP-RS); Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH); Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (CCDH-ALRS); Caminhos da Ditadura-POA; e Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS). A comissão é responsável por fazer duas indicações para cada modalidade.
Trajetória de Rubens Paiva
O prêmio leva o nome de Rubens Paiva (1929–1971), ex-deputado federal preso e assassinado pela ditadura militar. Em 1º de abril de 1964, Paiva fez um discurso no rádio contra o golpe, teve o mandato cassado logo depois e partiu para o exílio. Em 20 de janeiro de 1971, foi detido em casa, no Rio de Janeiro, por agentes da repressão.
Levado ao Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), foi torturado e morto sob custódia do Estado. O corpo foi ocultado pelos militares, que forjaram uma falsa fuga, e jamais foi localizado. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) concluiu que Paiva foi executado pela ditadura. Durante décadas, Eunice Paiva liderou a busca por justiça. A história da família ganhou nova projeção no Brasil e no exterior com o filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles e centrado na luta de Eunice após o desaparecimento do marido.
