A principal zona de incidência desta alteração, que afeta toda a costa ocidental, tem mais impacto na zona oeste e norte de Portugal, onde tradicionalmente a água é mais fria do que no resto do país.
De acordo com o que o chefe da Divisão de Meteorologia e Vigilância do IPMA, Jorge Ponte, explicou ao “Expresso”, este fenómeno explica-se pela ausência da “nortada”, o vento do quadrante norte que, durante o verão, desencadeia o fenómeno oceanográfico, conhecido como “upwelling”.
Esta quinta-feira, por exemplo, a temperatura da água na costa Norte ronda os 20 graus, enquanto que no Algarve não passa dos 19. A previsão do IPMA para sexta-feira aponta para um aumento desta diferença, com a água na linha algarvia a ficar um grau mais fria. Para sábado, não estão previstas grandes alterações.
“Normalmente, este vento do quadrante norte empurra a água da superfície da zona costeira, mais quente, para o largo, permitindo que as águas do fundo do mar, mais frias, subam até à superfície junto à costa. Este processo acontece todos os anos e é o que explica a água fria das praias portuguesas, principalmente no litoral ocidental”, explicou Jorge Ponte ao jornal.
No entanto, segundo a mesma fonte, “esta semana, a ‘nortada’ tem sido menos frequente”. Assim, o afloramento costeiro não ocorre com a mesma intensidade e a água quente que é aquecida pelo sol permanece junto à costa, fazendo subir a temperatura da superfície do mar.
Esta situação deverá durar, pelo menos, até sexta-feira. No sábado, existe a possibilidade de a “nortada” regressar, o que provocará novamente o afloramento costeiro e provocará uma descida da temperatura da água. No entanto, a situação deve durar pouco tempo. O vento voltará a enfraquecer e as temperaturas da água deverão ficar elevadas novamente dentro das próximas semanas.
