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“Para Falar De Direitos Humanos, Temos Que Estar Próximos Uns Dos Outros.”  • Ensaio

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Em Silêncio é um espetáculo teatral que aborda os 48 anos de ditadura em Portugal, dando voz às pessoas que viveram essa época. Criado a partir de documentos históricos e testemunhos reais, apresenta diferentes perspetivas sobre a repressão, a censura, a tortura, o exílio, a resistência e o medo.

Através da música ao vivo, da projeção de vídeo e da proximidade entre os intérpretes e o público, o espetáculo procura proporcionar uma experiência imersiva e aproximar os espectadores desta parte da história portuguesa.

Com encenação de Teresa Sobral, o espetáculo é exibido no Teatro São Luiz, com interpretação de Beatriz Maia, Danilo da Matta, Mário Coelho, Miguel Nunes, Patrícia Fonseca, Rita Gonçalves e Tomás Barroso, e com os músicos Hernâni Faustino, Miguel Sobral Curado e a cantora Leonor Cabrita.  

Acede à entrevista à encenadora Teresa Sobral.

 

Como nasceu a ideia de criar este espetáculo?

A ideia deste espetáculo surgiu há mais de 12 anos. Costumava estudar História com os meus filhos, e sempre que chegávamos à parte do Estado Novo, não se contava praticamente nada sobre esses 48 anos da nossa história. Comecei a ficar curiosa com o porquê de se falar tão pouco. Normalmente, diz-se que havia pouca liberdade, censura, algumas pessoas eram presas por divergirem do regime, mas eu pensava “isto é muito pouco para 48 anos de ditadura”. Não tinha mais informação nem conhecimento de quase nada. “Porque é que não se fala disto?”

Então, fui investigar para fazer um espetáculo, levá-lo às escolas e contar esta história. Como muitas das pessoas estão vivas é mais fácil recolher testemunhos. Comecei por falar com uma pessoa, que me deu mais três ou quatro contactos, que, por sua vez, me foram dando cada vez mais. De repente, entre pessoas e arquivos históricos, estive mais de 7 anos a recolher informação para fazer o espetáculo. 

 

De onde veio o título Em Silêncio? 

Tudo era “em silêncio”. As pessoas não falavam, não davam as suas opiniões, não diziam tudo sobre si ou o que faziam, nem as que eram a favor do regime, muito menos as que eram contra. Também se escondia a sexualidade, as mulheres eram consideradas seres inferiores, não pertenciam ao domínio público, tinham que ser fadas do lar, portanto era tudo vivido em silêncio. Um dia lembrei-me, “Isto podia chamar-se Em Silêncio, porque havia silêncio e ele perdura.” 

 

Porque sentiu que era importante regressar aos 48 anos de ditadura em Portugal, sobretudo quando as novas gerações não viveram essa realidade?

É uma parte da nossa história recente. Todos os atores nasceram depois do 25 de abril, eu sou a pessoa mais velha da equipa, tinha 9 anos quando aconteceu. É importante falar sobre o que é viver numa ditadura, porque não se pode viver numa, é o pior sistema. Seja ela qual for, nenhuma pessoa vai desejar viver numa ditadura portanto, nós temos que falar sobre isso para os jovens ficarem informados.

 

O espetáculo coloca os espectadores dentro da cena, muito próximos dos intérpretes, que distribuem panfletos pelos espectadores. O que pretende provocar com esta proximidade física e emocional?

Para falar de direitos humanos, temos que estar próximos uns dos outros. Não fazia sentido ter os atores num palco longe e as pessoas sozinhas numa plateia, foi apenas pela necessidade de estarmos próximos uns dos outros. 

Os atores não estão a representar os papéis, estão numa zona muito cinzenta onde começa o papel do ator e onde está a pessoa real, portanto eles não estão a representar. É impossível representar as situações porque algumas delas são violentas demais, talvez possam ser feitas em cinema. Sendo uma pessoa do teatro, não gostaria de pôr aquilo em cena porque ficaria bastante longe da realidade. O cinema consegue aproximar-se mais da realidade do que o teatro, portanto não estamos a assistir a uma peça de teatro tradicional em que os atores estão a fazer personagens. As pessoas têm que começar a aproximar-se de novo umas das outras, aprender a conversar e, acima de tudo, a ouvir o outro. 

Veja a matéria completa aqui!

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