Inícioautismoo desafio de identificar pessoas que passaram anos sem diagnóstico

o desafio de identificar pessoas que passaram anos sem diagnóstico

[adinserter block="9"]

Durante muito tempo, falar sobre autismo significava falar principalmente sobre crianças. O diagnóstico na infância, o acompanhamento escolar e as terapias voltadas ao desenvolvimento concentraram grande parte das discussões sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nos últimos anos, porém, um novo olhar passou a ganhar espaço: o de pessoas que chegaram à adolescência, à vida adulta ou até à terceira idade sem saber que estavam no espectro.

A mudança de perspectiva tem movimentado famílias, entidades especializadas e também representantes públicos que discutem formas de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao atendimento. Entre eles está o deputado federal Fabio Schiochet, que apresentou uma proposta para criar uma política nacional voltada às pessoas que recebem o diagnóstico tardio de autismo.

O tema parte de uma realidade: o autismo acompanha a pessoa durante toda a vida, mas o acesso ao diagnóstico e ao suporte adequado ainda pode acontecer depois de muitos anos.

“Hoje, sabemos que muitas pessoas passam décadas sem entender determinadas dificuldades, sem compreender por que enfrentam alguns desafios na comunicação, na interação social ou na adaptação a determinadas situações. O diagnóstico pode trazer respostas importantes para essas pessoas”, afirma Schiochet.


Deputado Fabio Schiochet é autor do projeto para uma político nacional de diagnóstico tardio | Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Uma realidade acompanhada de perto pela AMA

Em Jaraguá do Sul, a discussão sobre autismo faz parte da rotina da Associação de Amigos do Autista (AMA). Criada a partir da mobilização de famílias que buscavam atendimento adequado para seus filhos, a entidade se tornou uma referência regional no acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista e seus familiares.

Ao longo dos anos, o trabalho da AMA ampliou a visão sobre o autismo e mostrou que as necessidades de apoio não terminam na infância. Cada fase da vida apresenta novos desafios, seja no ambiente escolar, na convivência social, na busca por autonomia ou na inserção profissional.

A atuação da entidade envolve atendimento, orientação e ações voltadas ao desenvolvimento e à inclusão das pessoas autistas, além do suporte às famílias que buscam informações e caminhos após o diagnóstico.

Essa realidade também ajuda a explicar por que o diagnóstico tardio passou a ganhar espaço no debate público. Muitas pessoas chegam à descoberta do autismo depois de uma longa trajetória marcada por dúvidas, adaptações e dificuldades que nem sempre eram compreendidas.

Quando a resposta chega depois de anos

O diagnóstico precoce continua sendo considerado importante para garantir acesso mais rápido aos acompanhamentos necessários. Porém, o debate atual também chama atenção para quem passou boa parte da vida sem essa identificação.

O diagnóstico tardio pode acontecer por diferentes motivos. Em alguns casos, sinais presentes desde a infância não foram reconhecidos; em outros, a pessoa desenvolveu estratégias próprias para lidar com determinadas situações e só buscou uma avaliação especializada anos depois.

Para muitos adultos, receber o diagnóstico representa uma nova forma de interpretar a própria história. Situações vividas na escola, no trabalho e nos relacionamentos podem passar a ser analisadas sob uma nova perspectiva.

Mas a descoberta também traz novos desafios: encontrar profissionais especializados, compreender direitos, acessar serviços e construir uma rede de apoio.

Foto: Magnific

De Santa Catarina para o debate nacional

Antes da discussão chegar ao Congresso Nacional, o tema já vinha sendo trabalhado em Santa Catarina pelo deputado estadual Vicente Caropreso (União Brasil), médico neurologista e defensor de iniciativas relacionadas ao atendimento de pessoas com autismo.

A atuação estadual ajudou a ampliar o debate sobre a necessidade de olhar também para aqueles que recebem o diagnóstico fora da infância.

Seguindo essa linha, Fabio Schiochet apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5.001/2026, que cria a Política Nacional de Atenção ao Diagnóstico Tardio do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A proposta estabelece diretrizes para ampliar a identificação, o acolhimento e o atendimento de pessoas diagnosticadas após a infância, além de fortalecer ações envolvendo saúde, educação e assistência social.

Entre as medidas previstas estão campanhas de conscientização, capacitação de profissionais e organização de uma rede de atendimento capaz de acompanhar essas pessoas após o diagnóstico.

“O autismo não termina na infância. Precisamos olhar para todas as fases da vida e garantir que crianças, jovens, adultos e idosos tenham acesso ao cuidado necessário”, destaca Schiochet.

Inclusão ao longo de toda a vida

O crescimento desse debate mostra uma mudança na forma como a sociedade compreende o autismo. A discussão deixou de estar concentrada apenas no desenvolvimento infantil e passou a considerar as diferentes necessidades que surgem ao longo da trajetória.

Para famílias que passaram anos buscando respostas, o diagnóstico pode representar mais do que uma identificação: pode ser a oportunidade de compreender a própria história e encontrar caminhos de apoio.

Em Jaraguá do Sul, o trabalho desenvolvido por entidades como a AMA mostra a importância de uma rede formada por famílias, profissionais e instituições. No campo político, propostas como as de Vicente Caropreso e Fabio Schiochet buscam transformar essa demanda em políticas públicas.

O desafio agora é ampliar o acesso à informação, reduzir o tempo entre os primeiros sinais e o diagnóstico e garantir que pessoas autistas possam encontrar suporte adequado em todas as fases da vida.

Veja a matéria completa aqui!

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -[adinserter block="8"]

mais vistas