Na Guiné-Bissau, a situação da mulher volta ao centro do debate e as opiniões são unânimes quanto aos desafios que ainda enfrentam. A capital acolheu esta semana o II Fórum Nacional de Liderança Feminina. As mulheres guineenses continuam a enfrentar vários desafios e estão muito atrás dos homens quando se fala em lugares de tomada de decisão.
Além do incumprimento da Lei da Paridade, que estabelece a participação mínima de 46% de mulheres na esfera de decisões, as mulheres empreendedoras continuam a denunciar dificuldades no acesso ao crédito.
À DW, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, destaca outro ponto que ilustra a desigualdade entre homens e mulheres: “Se nós olharmos para a dinâmica política da Guiné-Bissau, ela desfavorece as mulheres, porque tudo é feito à margem de normas e competências”.
“A competição política não se baseia no mérito, mas no clientelismo, em questões financeiras e em quem tem mais influência nas comunidades”, acrescenta o ativista.
O que exigem elas?
Bissau acolheu esta semana o II Fórum Nacional de Liderança Feminina, Participação e Transformação Social, que juntou mais de 300 delegados de todo o país. O encontro debateu temas como a igualdade de género e os problemas que bloqueiam a participação feminina na Guiné-Bissau.
“É preciso dar oportunidade à educação das mulheres, criar condições para que as mulheres, mesmo grávidas, se mantenham nas escolas para concluir o ano letivo”, disse uma empreendedora.
Já um ativista afirma que “se tem sempre Governo inconstitucional, não pode ter uma política pública virada à sociedade e à mulher”.
“A situação da mulher guineense é lamentável e não por falta da união entre as mulheres como se diz. Mas, para sermos concorrentes e estarmos ao lado dos homens, temos que estar unidas. Estamos unidas e somos capacitadas, mas também temos que ser empoderadas economicamente”, defendeu outra ativista.
Mais esforços para inclusão
Segundo a ministra da Mulher, Família e Solidariedade Social, Yessénia Ibrahim, a representação efetiva das mulheres nos espaços de decisão e de governação continua a exigir esforços consistentes e concertados, admitindo que o casamento precoce e a violência baseada no género ainda comprometem o pleno desenvolvimento e as oportunidades de mulheres e jovens guineenses.
“Mudar esta realidade não é apenas uma questão de justiça social, é uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau”, diz Ibrahim.
Segundo um relatório recente do Observatório da Mulher, uma iniciativa das organizações da sociedade civil guineense, a maior parte das mulheres no país vive em condições habitacionais precárias, com acesso limitado à água, ao saneamento e eletricidade, enfrentando ainda insegurança alimentar.
Para o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos “é necessário mudanças no sentido de haver uma vontade política genuína das autoridades nacionais para elaborar e implementar políticas públicas”.
