A secretária de Estado britânica para a região do Indo-Pacífico, Rosie Winterton, em visita oficial a Hong Kong, abordou esta sexta-feira com as autoridades locais a situação de Jimmy Lai, magnata dos meios de comunicação social detido.
Winterton reuniu-se na antiga colónia britânica com o comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China na cidade, Cui Jianchun, bem como com altos responsáveis do Executivo de Hong Kong, na primeira missão oficial da diplomata à região desde que assumiu o cargo, centrada nos objetivos de reforço das relações comerciais e defesa dos direitos humanos.
A representante diplomática de Londres transmitiu a preocupação do Governo europeu com o retrocesso das liberdades no território, assim como visitou o Parque de Inovação e Tecnologia de Hong Kong-Shenzhen.
Esta visita a este importante parque tecnológico estratégico visa reforçar a cooperação científica e o desenvolvimento de oportunidades de negócio na chamada região da Grande Baía, um megaprojeto de integração económica promovido por Pequim, que liga Hong Kong e Macau a outras nove cidades da província chinesa de Cantão.
A viagem da secretária de Estado a Hong Kong ocorre num contexto de gradual descongelamento das relações bilaterais entre Pequim e Londres, que se deterioraram nos últimos anos devido à repressão política na região administrativa especial.
Esta aproximação recebeu um impulso decisivo na sequência da visita à capital chinesa do ex-primeiro-ministro trabalhista Keir Starmer e, mais recentemente, através de uma conversa telefónica entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o atual chefe do Executivo britânico, Andy Burnham.
Durante as sessões de trabalho, Winterton salientou que Hong Kong continua a figurar entre os vinte principais parceiros comerciais do Reino Unido e mantém o estatuto de centro financeiro internacional de referência.
Além disso, defendeu que um diálogo económico construtivo não é incompatível com a manutenção de um diálogo franco sobre os assuntos mais complexos da agenda bilateral.
Neste sentido, reiterou a posição oficial britânica relativamente a Jimmy Lai, cidadão britânico de 78 anos e fundador do jornal de orientação pró-democrática Apple Daily, que foi encerrado.
Lai foi considerado em fevereiro passado culpado de conluio com forças estrangeiras, entre outros crimes tipificados na Lei de Segurança Nacional do território, e condenado a 20 anos de prisão, a pena mais severa aplicada até ao momento ao abrigo da referida lei, imposta por Pequim em 2020.
A digressão asiática da secretária coincide com a recente apresentação ao Parlamento de Westminster do 59.º relatório semestral sobre Hong Kong, assinado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband.
O documento denuncia que a China continua a não cumprir os termos da Declaração Conjunta sino-britânica de 1984, um tratado internacional que garantia até 2047 a salvaguarda do elevado grau de autonomia e do sistema de direitos, liberdades e garantias da antiga colónia britânica.
Tanto Pequim como as autoridades de Hong Kong rejeitaram categoricamente as conclusões desse relatório, classificando-as como “uma ingerência intolerável nos seus assuntos internos”.
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