InícioBrasilLíder palestino acusa Israel de limpeza étnica em discurso na ONU

Líder palestino acusa Israel de limpeza étnica em discurso na ONU

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O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, descreveu as ações israelenses em Gaza e na Cisjordânia como “um plano colonial maligno” com o objetivo de forçar os palestinos a deixarem sua terra natal, com base em “discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo”, em discurso pré-gravado para a Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira. Abbas afirmou, ainda, que suas esperanças de um caminho para a coexistência pacífica com Israel estavam em seu ponto mais baixo, mas que ainda tinha esperança em “um Estado palestino democrático que respeite o Estado de Direito e os direitos humanos, um Estado não militarizado que viva em segurança e paz ao lado do Estado de Israel”.

— O perigo já não se limita a minar a solução de dois Estados e a impedir a concretização do Estado palestino. Agora, ameaça a própria vida e existência do povo palestino em sua pátria — disse Abbas, acrescentando que Israel está conduzindo “uma guerra genocida que criou uma catástrofe humanitária sem precedentes”.

Abbas também instou a comunidade internacional que se manifeste contra as ações de Israel, acrescentando que o plano de paz de 20 pontos para Gaza, lançado há um ano pelo presidente americano Donald Trump, não se concretizou na prática.

A proposta americana previa o fim gradual da guerra, a reconstrução do enclave palestino e o envio de uma força internacional de estabilização de 20 mil soldados para impedir o ressurgimento do Hamas como força militar. Meses depois, porém, o projeto enfrenta dificuldades para sair do papel.

— Até quando alguns Estados permanecerão em silêncio sobre Israel ou continuarão a fornecer armas que podem ser usadas contra o nosso povo? — perguntou. — O mundo testemunhou um custo tremendo para a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. O que a comunidade internacional está esperando para proteger o povo palestino, garantir sua presença em sua terra (…) e implementar a solução de dois Estados com base na legitimidade internacional?

Abbas também condenou a persistente violência israelense contra civis palestinos em Gaza e na Cisjordânia ocupada. As anexações de terras por Israel na Cisjordânia para assentamentos judaicos têm sido fortemente criticadas como um obstáculo à criação de um Estado palestino.

— A expansão dos assentamentos acelerou e o terrorismo dos colonos está se intensificando por meio de demolições de casas, postos de controle e incursões constantes, tudo sob um sistema de leis, procedimentos e práticas baseadas em discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo de Estado — disse.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou poucas horas depois, perante uma assembleia parcialmente esvaziada e bastante crítica da conduta de Israel em Gaza. Durante a fala, Netanyahu minimizou a violência crescente na Cisjordânia ocupada, atribuindo os casos a um grupo de “jovens delinquentes que andam por aí atirando pedras e derrubando oliveiras”.

Ocupado por Israel desde 1967, o território, que abriga a sede da ANP, é lar de mais de três milhões de palestinos. Atualmente, estima-se que mais de 500 mil israelenses vivam lá em assentamentos, considerados ilegais mesmo sob a lei israelense — embora a sua aprovação e legalização tenham crescido consideravelmente nos últimos anos, juntamente com a violência dos colonos, levando a amplas críticas internacionais.

Pelo segundo ano consecutivo, Abbas discursou virtualmente perante a assembleia, pois o governo Trump se recusou a conceder-lhe um visto. Washington acusa Abbas de não cumprir “compromissos em favor da paz no Oriente Médio” e atribui a ele “ações” destinadas a internacionalizar o conflito israelense-palestino, especialmente por meio do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina “procura contornar as negociações” de paz ao buscar um reconhecimento unilateral e continua pagando “benefícios a terroristas”, além de glorificar “atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e livros didáticos”.

A criação de um Estado palestino tem amplo apoio na ONU, com 157 dos 193 Estados-membros reconhecendo a Palestina como um Estado independente. Em 2025, alguns dos principais países ocidentais, incluindo França, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal, reconheceram formalmente um Estado palestino em uma conferência à margem da Assembleia Geral. Os Estados Unidos se distanciaram da posição.

Com AFP e New York Times.

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