O jornalista Jamil Chade recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos de 2026 em reconhecimento à sua trajetória internacional e à cobertura de temas relacionados à defesa dos direitos humanos, da democracia e da justiça global. A homenagem foi entregue pelas mãos da escritora Conceição Evaristo, durante a cerimônia da 48ª edição da premiação, em São Paulo.
Em entrevista à TMC, Chade afirmou que o reconhecimento representa não apenas uma honra, mas também uma responsabilidade profissional. “Esse não é um prêmio qualquer, esse é um prêmio que ele traz um nome que basicamente te dá uma espécie de compromisso em fazer o jornalismo profissional de uma forma permanente”, declarou.
O jornalista também ressaltou o papel da imprensa diante da desinformação e das crises institucionais. Para ele, o compromisso do jornalismo profissional deve estar na apuração dos fatos e na defesa dos princípios democráticos.
“Nós somos o antídoto do jornalismo profissional, aquele que tem lado. Qual lado? O dos fatos, a da democracia e dos direitos humanos”, afirmou à TMC.
O papel do jornalismo na democracia
Durante a entrevista, Chade destacou que a informação é fundamental para que a população possa tomar decisões e exercer a cidadania. Segundo ele, o trabalho dos profissionais da imprensa deve contribuir para que as pessoas compreendam os acontecimentos e possam cobrar os responsáveis pela gestão pública.
“Nós vamos ter de tomar uma decisão corajosa, o jornalismo, de assumir o seu papel. E o papel, insisto, é de garantir que a cidadania possa tomar decisões informadas”, disse.
O jornalista acrescentou que a imprensa não deve decidir pelo cidadão, mas oferecer informações que permitam escolhas conscientes. “Nós não somos o fim, nós somos aqueles que podem contribuir para que o cidadão, com as informações, possa tomar a sua decisão”, completou.
O que é o Prêmio Vladimir Herzog?
Criado em 1978 e concedido pela primeira vez em 1979, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog reconhece trabalhos e profissionais que contribuem para a promoção da democracia, da cidadania, da paz, da justiça e dos direitos humanos.
A premiação homenageia a memória do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Ao longo de sua história, o prêmio se consolidou como uma referência no reconhecimento do jornalismo comprometido com os direitos humanos e a liberdade de expressão.
Quem é Jamil Chade?
Jamil Chade é jornalista brasileiro, formado em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Construiu carreira como correspondente internacional, com atuação na Europa por cerca de duas décadas e cobertura de acontecimentos políticos e diplomáticos em diferentes regiões do mundo.
Ao longo da trajetória, acompanhou atividades de organismos internacionais, cúpulas diplomáticas e crises humanitárias. Suas reportagens abordam temas como migração, fome, corrupção, violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade.
Chade trabalhou como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo e colaborou com veículos internacionais, como BBC, CNN, Al Jazeera, France 24, The Guardian e El País. Também participou como pesquisador da Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar brasileira.
Além da atuação como repórter, é autor de livros e teve trabalhos reconhecidos em premiações jornalísticas e literárias.
Ao comentar a homenagem, Chade destacou que receber o prêmio reforça o compromisso de continuar exercendo um jornalismo voltado à informação e à cidadania. Para ele, o acesso a informações confiáveis permite que a população avalie governos, cobre representantes e participe das decisões que definem os rumos do país.
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