Iníciopolítica“Faltou sensibilidade”, diz vereador sobre deboche com fibromialgia em Tijucas

“Faltou sensibilidade”, diz vereador sobre deboche com fibromialgia em Tijucas

O vereador Cláudio Eduardo de Souza (MDB), de Tijucas, passou pela redação do DIARINHO nesta semana para participar do programa Desembucha JC. Antes da entrevista, ele conversou com a reportagem e falou sobre o episódio de deboche que sofreu em uma sessão da câmara de vereadores por conta da fibromialgia, doença crônica caracterizada por dores generalizadas e fadiga.

A polêmica aconteceu no mês passado quando o vereador Júlio Bucoski (PP) questionou o uso da condição para justificar faltas do vereador às sessões. Cláudio é autor da lei 3.259/2026, que institui o “Fevereiro Roxo e Laranja” em Tijucas para conscientização sobre a fibromialgia. “Eu vou com dor, mas vou”, contou sobre a condição de portador da doença. 

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O parlamentar contou que decidiu tornar pública a própria condição para ajudar outras pessoas que convivem com a doença. “A fibromialgia é um tabu por ser uma deficiência que não é visível. Quando a pessoa vê um cadeirante ou alguém com uma deficiência perceptível, consegue entender melhor a gravidade da situação. A fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiência em Santa Catarina há cerca de dois anos e, neste ano, também em nível nacional”, explicou.

Cláudio afirmou que passou a usar um crachá durante as sessões para validar a existência da doença e incentivar outras pessoas a procurarem ajuda. “Comecei a expor a doença porque percebi a importância de dar voz para quem passa por isso. Muitas pessoas começaram a me procurar com dúvidas e buscando orientação”, disse.

Segundo ele, nos bastidores da câmara já percebia olhares e piadas sobre a condição. O desconforto aumentou durante o debate sobre atestados médicos. “Apesar da fibromialgia e da dor, eu não faltei nenhuma sessão neste ano. Eu vou com dor. Tem dias em que consigo contribuir mais, em outros menos, mas estou lá”, comentou.

O vereador relatou que o colega fez gestos e comentários insinuando que a doença não seria real. “Quando esse vereador começou a fazer gestos e falar ‘vira homem’, insinuando que eu estava fingindo, aquilo ultrapassou todos os limites”, afirmou.

Cláudio também criticou o silêncio dos demais parlamentares durante a sessão, que além de não o apoiarem também não repreenderam Júlio Bucoski que estava passando dos limites com os portadores da doença. “Nenhum vereador se manifestou. Faltou sensibilidade de eles entenderam que não estava debochando de um vereador. Ele estava publicamente, numa sessão transmitida ao vivo, debochando de uma doença que é considerada uma deficiência”, declarou.

Claudio comparou a situação a um eventual deboche contra pessoas autistas ou cadeirantes. “Se fosse alguém imitando um autista ou um cadeirante, talvez houvesse reação imediata. O problema é que muita gente ainda não entende a gravidade da fibromialgia”, lamentou.

O vereador ainda contou que pediu oficialmente que a câmara emitisse uma nota repudiando qualquer forma de preconceito contra doenças, mas não teve resposta. “Nem cheguei a pedir punição. Pedi apenas um posicionamento institucional contra qualquer tipo de deboche ou preconceito. Até hoje não responderam”, afirmou.

Segundo Cláudio, ele entrou com ação judicial contra o vereador e também contra o presidente da câmara por omissão.

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