O fortalecimento de políticas públicas integradas e o apoio técnico direto aos municípios paulistas foram os temas centrais do painel que teve a participação do secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, nesta terça-feira (16), durante o 9º Conexidades. Realizado no Centro de Convenções de Campos do Jordão, o evento tem como proposta central conectar a iniciativa privada, o conhecimento e as administrações municipais para debater soluções inovadoras de gestão.
Em seu discurso, Marcos da Costa enfatizou a diretriz estabelecida pelo governador Tarcísio de Freitas de descentralizar as ações do Estado e gerar impacto real na ponta, onde a população vive. O secretário destacou que a criação há exatamente um ano do *Centro TEA Paulista* transformou iniciativas isoladas em uma política de Estado robusta e transversal, unindo as áreas de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Direitos da Pessoa com Deficiência.
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“O Centro TEA Paulista não foi concebido para concorrer com as prefeituras, mas para ser um braço de apoio técnico e capacitação a elas”, explicou o secretário. “Muitas vezes o município quer implementar uma política pública voltada ao autismo, mas não possui equipe especializada. O Estado coloca toda a sua estrutura à disposição para formular essas ações, mapear os equipamentos necessários e qualificar os profissionais locais.”
Durante o painel, o secretário apresentou dados expressivos do impacto do Centro TEA Paulista por meio de demandas customizadas que já estão transformando a realidade do interior e da região metropolitana. Em Marília, o foco foi a área pedagógica, resultando na qualificação profissional de 400 cuidadores da rede municipal de ensino.
Já em Guaratinguetá, a capacitação assumiu um caráter transversal, engajando cerca de 1.000 servidores públicos de diferentes setores em um amplo debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Outro marco recente foi o treinamento específico realizado junto ao 4º Batalhão da Polícia Militar, voltado à conscientização neurodiversa e à preparação das forças de segurança para o atendimento e a abordagem adequada à população com autismo.
O secretário pontuou a relevância de preparar as forças de segurança para abordagens mais assertivas e humanizadas. “Conversamos com a Polícia Militar sobre como funciona o cérebro de um autista. É fundamental que o policial saiba que o tempo de resposta ou a repetição de falas (ecolalia) não são sinais de desacato ou ironia, mas sim formas de organização cerebral. Isso evita conflitos e garante a dignidade do cidadão”, ressaltou Costa.
José Antonio Lobo, diretor regional do Centro TEA Paulista, destacou que no equipamento também funciona o Centro de Cidadania da Pessoa com Deficiência, com atendimento gratuito e presencial, com portas abertas e funcionamento 24 horas no teleatendimento.
Ao final do encontro, Marcos da Costa celebrou a parceria histórica com entidades do terceiro setor, mencionando o trabalho da Fundação Dorina Nowill na inclusão de pessoas com deficiência visual e o papel das APAEs no Estado. O secretário reforçou que os canais de atendimento da SEDPcD seguem abertos para prefeitos, vereadores e secretários municipais, seja para assessoramento técnico presencial ou à distância.
Para a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Conexidades cumpre um papel indispensável de articulação. É unindo a sensibilidade política dos gestores municipais à expertise técnica do Estado que São Paulo caminha para se tornar um território cada vez mais acessível, inclusivo e acolhedor para todos.
