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A defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade de imprensa marcou a 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, realizada na terça-feira (20), no Tucarena, em São Paulo. A cerimônia homenageou profissionais e produções que contribuem para a preservação da memória, a denúncia de violações e o fortalecimento dos valores democráticos.
Um dos destaques da noite foi a entrega do Prêmio Especial Vladimir Herzog ao jornalista Jamil Chade, reconhecido por sua trajetória internacional e pela cobertura de temas relacionados aos direitos humanos, à democracia e à justiça global. O cartunista e cronista visual Paulo Caruso, morto em 2023, também recebeu a homenagem in memoriam.
Representando as 18 entidades organizadoras do prêmio, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Thiago Tanji, destacou o papel do Brasil na defesa internacional das liberdades e lembrou que o segundo turno das eleições coincide com o Dia Nacional da Democracia e o aniversário da morte de Herzog.
Também homenageou quatro defensores da democracia que morreram recentemente: Amelinha Teles, Vladimir Sacchetta, Renato Rabello e Zuenir Ventura. “A memória é uma responsabilidade coletiva e tem capacidade concreta de transformação da realidade”, afirmou.
A premiação reconhece trabalhos jornalísticos e artísticos que contribuem para a promoção da cidadania, da paz, da justiça e dos direitos humanos. Nesta edição, foram contempladas produções em sete categorias: Arte, Fotografia, Áudio, Multimídia, Texto, Vídeo e Livro-Reportagem.
Reportagens premiadas expõem violações de direitos
Entre os trabalhos reconhecidos nesta edição estão produções que abordam diferentes formas de violência e desigualdade no Brasil e no mundo. Na categoria Fotografia, Tomaz Silva, da Agência Brasil, venceu com o registro de uma viúva que se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro.
A violência contra as mulheres também esteve entre os temas premiados. A jornalista Ana Paula Araújo recebeu o prêmio de Livro-Reportagem por Agressão, obra dedicada à escalada da violência doméstica no país. Já a série Parto ou sentença?, da revista AzMina, venceu na categoria Texto ao investigar questões relacionadas à assistência ao parto.
Na categoria Produção Jornalística em Áudio, Julia Dolce e equipe foram reconhecidos por Palestina, da abundância à fome, publicado pelo site O Joio e O Trigo. Em Multimídia, o Intercept Brasil venceu com Moinho de Gente, reportagem sobre a expulsão de moradores da Favela do Moinho, no centro de São Paulo.
Em comum, os trabalhos mostram como o jornalismo pode dar visibilidade a violações de direitos humanos, documentar realidades frequentemente ignoradas e contribuir para o debate público sobre responsabilidade do Estado, desigualdade e justiça.
Confira aqui todos os ganhadores.
Memória contra o autoritarismo
O prêmio carrega o nome de Vladimir Herzog, jornalista torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo. Sua morte tornou-se um marco da resistência à repressão e da luta pela responsabilização do Estado por crimes cometidos durante o regime.
A primeira edição da premiação ocorreu em 1979, em um período de mobilização da sociedade brasileira pela anistia e pela redemocratização. Desde então, a iniciativa se consolidou como uma referência para o reconhecimento do jornalismo comprometido com a democracia e os direitos humanos.
Organizado pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, o evento reúne 18 instituições da sociedade civil e a família Herzog. A iniciativa reafirma, a cada edição, a importância da liberdade de expressão, da apuração rigorosa dos fatos e da preservação da memória histórica.
Em um cenário no qual a desinformação e os ataques às instituições democráticas seguem como desafios, manter viva a história da ditadura é também defender o direito à informação e impedir que a violência de Estado seja apagada ou naturalizada.
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