Conhecer quem são, onde vivem e quais necessidades enfrentam as pessoas com deficiência é o primeiro passo para construir políticas públicas mais eficientes. No Vale do Taquari, esse retrato começa a ganhar forma.
A Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e com Altas Habilidades do Rio Grande do Sul (FADERS) identificou 1.117 pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na região por meio da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), documento oficial que reconhece a condição da pessoa autista e facilita o acesso a direitos e atendimentos prioritários.
Os dados foram apresentados durante o 219º Fórum Permanente da Política Pública Estadual para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades, promovido em Estrela. O levantamento indica que o número ainda representa apenas parte da população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aponta cerca de 3,3 mil pessoas com autismo no Vale do Taquari.
Além do panorama sobre o autismo, representantes dos municípios do Corede Vale do Taquari apresentaram informações sobre acessibilidade, inclusão e atendimento às pessoas com deficiência. As discussões resultaram na elaboração de uma carta de intenções que será encaminhada ao Governo do Estado com as principais demandas apontadas pela região.
A coordenadora de Pesquisa da FADERS, Aline Monteiro Correia, explica que a Ciptea também funciona como uma ferramenta de planejamento. Como a emissão depende da apresentação do diagnóstico e da análise técnica da fundação, os dados permitem identificar onde estão essas pessoas e quais serviços precisam ser fortalecidos.
“Cada carteira emitida representa uma pessoa que passa a fazer parte do planejamento das políticas públicas. Quanto mais qualificados forem esses dados, mais eficiente será a construção das ações voltadas à inclusão”, afirma.
Outro dado que chamou atenção durante o encontro diz respeito à renda das famílias. Cerca de 86% possuem renda per capita inferior a um salário mínimo e meio, enquanto 19% sobrevivem com menos de um quarto do salário mínimo por pessoa. Apesar desse cenário, apenas 16% recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e 8% utilizam o Passe Livre.
Ao longo do dia, o fórum também discutiu inclusão no mercado de trabalho, acessibilidade e fortalecimento da rede de atendimento às pessoas com deficiência, temas que passam a integrar o documento encaminhado ao Estado.
Números do Vale
- 1.117 pessoas possuem a Ciptea;
- estimativa do IBGE aponta cerca de 3,3 mil pessoas com TEA na região;
- 103 carteiras foram emitidas em Estrela;
- 86% das famílias possuem renda per capita inferior a um salário mínimo e meio;
- 19% vivem com menos de um quarto do salário mínimo por pessoa;
- 16% recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- 8% utilizam o Passe Livre.
