InícioBrasilDefender dignidade humana sem metafísica é uma ilusão

Defender dignidade humana sem metafísica é uma ilusão

Em 1948, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, fundamentada na premissa de proteger a dignidade humana no mundo recém-moldado do pós-guerra. As pessoas modernas falam incessantemente sobre dignidade humana. Políticos a invocam, juízes a mencionam, universidades a celebram e organizações internacionais a consagram em declarações e cartas.

A expressão aparece com tanta frequência que adquiriu o status de um axioma moral. Mas uma questão curiosa se esconde por trás desse consenso quase universal: o que exatamente é a dignidade humana e por que os seres humanos a possuem?

O mundo moderno demonstra confiança em suas conclusões e uma notável hesitação em relação às suas premissas. Esse tipo de hesitação teria intrigado as gerações anteriores. Durante grande parte da história ocidental, a dignidade humana não era considerada autoevidente. Seu reconhecimento só se desenvolveu em nossa civilização e, mais recentemente, na estrutura de nosso direito. Sua aceitação como preceito de nossa civilização foi entendida como consequência de uma visão metafísica mais ampla.

Os seres humanos possuíam dignidade porque participavam de uma realidade que, em última instância, os transcendia. Seja articulada pela filosofia grega, pela teologia cristã ou pelo direito natural, a dignidade estava enraizada em uma concepção do que é o homem.