IníciopolíticaDecisão do STF sobre autismo leve reforça psiquiatrização de políticas públicas

Decisão do STF sobre autismo leve reforça psiquiatrização de políticas públicas

A decisão do STF no dia 3 declarando inconstitucional diferenciar autistas por nível de gravidade ao conceder isenção tributária na compra de veículos reacendeu antigas polêmicas sobre a expansão dos diagnósticos psiquiátricos e seu uso como critério para a concessão de benefícios.

Desde a década de 2000, normas originalmente concebidas para a inclusão de pessoas com formas tradicionais de deficiência (como a física) vêm sendo expandidas para abranger também diagnósticos psiquiátricos — como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) —, como fontes análogas de dificuldade de inserção na vida social.

A tendência vem ocorrendo de forma concomitante com um aumento no número de diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos, gerando dúvidas sobre a direção da causalidade e sobre os efeitos sociais dessas políticas.

Peculiaridades da psiquiatria devem ser levadas em conta, dizem especialistas

No caso da isenção fiscal para a compra de veículos, tema de julgamento do STF, um benefício inicialmente estreito — voltado apenas para motoristas com deficiência física, para facilitar a aquisição de veículos adaptados à sua condição — foi estendido por lei, a partir de 2003, para outras hipóteses, inclusive o autismo. “O objetivo da lei evoluiu para a inclusão social ampla, e não apenas compensar quem não consegue dirigir”, explica o advogado tributarista Filipe Costa Souza, mestre pela PUC-SP.