Um estudante de 11 anos, e com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) nível 1. Desmaiou após levar três socos na cabeça de um colega dentro da sala de aula da EMEF Professora Maria Aparecida Caputti Beraldo, em Paulínia, São Paulo.
O incidente ocorreu em 23 de setembro, e o menino foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado para exame. Segundo o maquinista ferroviário Adriano Gomes da Silva, pai da criança, a agressão não foi um caso isolado.
Em 20 de agosto, o menino já havia sido atacado por outro aluno e sofrido lesões na boca, no braço e no ombro, além de ter a lente dos óculos danificada. O pai relata que, desde o início do ano letivo, o filho enfrenta episódios repetidos de violência e bullying na instituição.
O episódio de violência e as consequências imediatas
A agressão aconteceu quando a professora de apoio saiu para sua pausa de 15 minutos. Segundo o pai, o colega xingou o menino, que respondeu a reação violenta, e a criança perdeu os sentidos após os golpes.
A mãe, técnica de enfermagem Priscila Main Salaro, recebeu uma ligação da escola pedindo que fosse ao local porque a situação era grave. Ao chegar, encontrou o filho, que recobrava os sentidos, e uma tomografia feita depois revelou apenas uma pequena densificação das partes moles fora do crânio, sem lesões graves.
Os pais denunciaram o caso à Polícia Civil e têm acesso ao boletim de ocorrência, e o médico de Lorenzo o afastou por 90 dias.

Histórico de agressões e dificuldade para obter apoio
O pai procurou diversas vezes a Secretaria de Educação de Paulínia para conseguir uma professora de apoio que ajudasse o filho e o protegesse de agressões. Em uma ocasião, foi informado que o laudo de TEA emitido pelo médico da criança não era válido e que seria necessária uma nova avaliação pela equipe da Secretaria.
Segundo o pai, ele chegou a procurar o Conselho Tutelar da cidade e informar que quatro crianças agrediam o filho e também maltratavam outras crianças. Ele buscava providências porque crianças autistas têm direito ao apoio de um profissional.
O conselheiro fez contato com o Centro de Referência Educacional e Apoio à Inclusão (Creapi) de Paulínia para verificar a situação e foi informado de que a contratação de uma profissional de apoio já havia sido autorizada, e a profissional, porém, só chegou em meados de agosto.
