A dificuldade para conseguir emprego levou Daniela Alves, empresária à frente da sorveteria Ice by Nice, na avenida Paulo Vl, em Franca, a construir o próprio caminho no empreendedorismo. Formada em Psicologia e diagnosticada com TEA (Transtorno do Espectro Autista) aos 29 anos, ela transformou a experiência de enfrentar barreiras no mercado de trabalho em uma iniciativa de inclusão: atualmente, contrata exclusivamente pessoas autistas para trabalhar no estabelecimento.
A trajetória foi marcada por desafios pessoais, dificuldades financeiras e pela busca por compreender as próprias características. Hoje, Daniela procura oferecer a outras pessoas a oportunidade profissional que demorou a conquistar, com foco no desenvolvimento de habilidades e na autonomia.
Filha de pais que sempre incentivaram os filhos a estudar, apesar das dificuldades, ela destaca a importância da família em sua formação. Casada com Gabriel Souza Alves e mãe, também vê na filha uma motivação para contribuir com mudanças na sociedade.
“Eu realmente quero para a minha filha um mundo um pouco melhor, e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para construir isso”, afirma.
Diagnóstico tardio
Desde a infância, Daniela percebia diferenças na própria maneira de pensar e agir. Na adolescência, passou por um período de isolamento que, inicialmente, não despertou preocupação no ambiente escolar. Mais tarde, descobriu que já enfrentava um quadro de depressão.
O diagnóstico de autismo veio aos 29 anos, após consultas com diferentes psiquiatras e outros diagnósticos relacionados à saúde mental, como TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), depressão, ansiedade generalizada e síndrome do pânico.
