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1.600 atendidos e a fila do autismo

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A associação que Malu do Juliano Varela ajudou a criar em Campo Grande começou atendendo crianças com síndrome de Down e hoje atende quase quatro vezes mais autistas do que isso. São 1.600 pessoas, sendo 1.300 com autismo e 300 com síndrome de Down, segundo os números que ela apresentou nesta terça-feira (22). É essa inversão, e a fila de quem ainda espera por um diagnóstico, que a advogada e cientista social leva para a disputa de uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

Maria Lúcia Fernandes, a Malu do Juliano Varela, concorre pelo Republicanos com o número 10456. Os números do atendimento e o relato da trajetória saíram em entrevista ao Giro Estadual de Notícias, programa jornalístico do Grupo Feitosa de Comunicação, que edita este jornal. No ar, o apresentador anunciou que o programa faz uma série de entrevistas com candidatos do Estado.

Os 34 anos são da mãe, não da associação

Ela fala em 34 anos de trabalho, e a conta começa no nascimento do primeiro filho, Juliano, que tem síndrome de Down. Pelo relato dela, foi aos 45 dias de vida do menino que embarcou para o Rio de Janeiro atrás de técnicas de estimulação, ficou dois anos estudando e voltou a Campo Grande para aplicar o que aprendeu nos filhos de outras mães que encontrava na rua.

A associação em si é mais nova. Existe desde 1994, ou seja, há 32 anos, e abriu com três alunos, segundo ela. Foram cerca de 25 anos atendendo só crianças com síndrome de Down, quando o número passava de 100 alunos, até a entidade abrir as portas para o autismo. Em agosto, quando A Crítica noticiou o Jogo da Inclusão, a associação informava 1.300 famílias atendidas em duas unidades, uma na Vila Carvalho e outra no Tiradentes.

“Eu iniciei a minha missão atendendo os Downs e hoje eles são minoria”, disse.

Uma fila e uma lei que existe

O dado mais duro da entrevista é uma fila. “Hoje nós temos mais de duas mil crianças na fila aguardando por uma avaliação diagnóstica”, disse, sobre Campo Grande. Ela chama isso de fila da amargura e diz que são crianças que atravessam a fase de maior desenvolvimento do cérebro sem acompanhamento, viram o problema da escola e voltam para casa de castigo por um comportamento que ninguém entendeu.

O direito que ela cobra, esse sim, está escrito e foi lido no site do Planalto nesta terça-feira (22). Quem garante o acesso ao “diagnóstico precoce, ainda que não definitivo” é a Lei 12.764/2012, que criou a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com autismo, no artigo 3º. A Lei Brasileira de Inclusão, a 13.146/2015, assegura no artigo 18 atenção integral à saúde pelo SUS em todos os níveis de complexidade e define, no artigo 2º, que a avaliação da deficiência é biopsicossocial, feita por equipe multiprofissional. Na entrevista, ela atribuiu o direito ao diagnóstico à Lei Brasileira de Inclusão.

Para explicar o efeito da falta de atendimento sobre a casa inteira, ela usou uma expressão própria: a família que tem um filho com autismo de nível 2 ou 3 de suporte, a escala que mede quanta ajuda a pessoa precisa no dia a dia, “sofre um aborto social espontâneo”, porque deixa de ser convidada para festas, para a escola e para a vida em comum.

A campanha, em números

Malu do Juliano Varela é uma das 20 candidaturas do Republicanos que apareceram no levantamento de repasses do partido em Mato Grosso do Sul publicado por A Crítica em 9 de setembro. Ela recebeu R$ 50 mil, valor 13,3 vezes menor que os R$ 665 mil do primeiro nome da lista, o deputado Pedrossian Neto, e entre os três menores da relação.

A eleição é em 4 de outubro, um domingo. A situação do registro da candidatura não foi conferida em base oficial para esta reportagem: o DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral, responde com erro de acesso a consultas do jornal desde 7 de setembro, e voltou a responder assim nesta terça-feira (22).

Ao fim da entrevista, ela pediu voto. “Eu não sou política. Nessa eleição eu estou colocando o meu currículo de serviço prestado para as pessoas com deficiência durante 34 anos à apreciação da sociedade sul-mato-grossense”, disse.

Serviço
Onde buscar atendimento e o que a lei garante

Entidade
Associação Juliano Varela, em Campo Grande

Unidades
Duas, uma na Vila Carvalho e outra no Tiradentes

Quem atende
Pessoas com autismo e com síndrome de Down e suas famílias

Contato
(67) 3026-8828 e WhatsApp (67) 99217-2299

+ O que as leis garantem sobre diagnóstico

Lei 12.764/2012, artigo 3º: a pessoa com autismo tem direito a “diagnóstico precoce, ainda que não definitivo”, atendimento multiprofissional, terapia nutricional e medicamentos.

Lei 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclusão, artigo 18: atenção integral à saúde pelo SUS em todos os níveis de complexidade, com acesso universal e igualitário.

Lei 13.146/2015, artigo 2º: a avaliação da deficiência, quando necessária, é biopsicossocial e feita por equipe multiprofissional e interdisciplinar.

+ Entenda os termos

Mãe atípica: como se chamam as mães de crianças com deficiência ou com autismo.

Estimulação precoce: conjunto de terapias aplicadas nos primeiros anos de vida, quando o cérebro tem mais facilidade para criar conexões.

Avaliação diagnóstica: exame feito por equipe de vários profissionais que confirma ou afasta o diagnóstico e abre a porta para terapias e direitos.

Níveis de suporte: escala de 1 a 3 que mede quanta ajuda a pessoa com autismo precisa no dia a dia; 3 é a maior necessidade.

Telefones e unidades conforme informações da própria associação publicadas por A Crítica em agosto de 2026. Textos das leis lidos no site do Planalto em 22 de setembro de 2026.

As informações desta caixa não substituem orientação médica. Procure um profissional de saúde ou a unidade de saúde mais próxima.

O A Crítica dá espaço igual a todos os candidatos e partidos. A cobertura eleitoral segue critérios jornalísticos, sem vinculação a campanha.

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