A falta de médicos para atendimento em saúde mental e profissionais de apoio para crianças com autismo tem sido um problema para familiares de crianças atípicas, que dependem da rede pública para atendimento, para conseguir diagnósticos, laudos e acompanhamento. O caso foi denunciado pelo vereador Maicon Nogueira (PP), durante sessão da Câmara Municipal realizada nesta terça-feira (8), em Campo Grande.
As críticas ocorreram durante a discussão dos vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Nogueira questionou a ausência de previsão para ampliar a contratação de psicólogos e médicos psiquiatras no município.
“Se a gente não vai conseguir priorizar a contratação de psicólogo e médico psiquiatra, é um sinal para essas mães de que isso não é importante”, afirmou.
Segundo o vereador, mães precisam percorrer unidades de saúde em busca de atendimento e de documentos necessários para garantir o acesso dos filhos a direitos e tratamentos.
“Outras coisas talvez sejam importantes, mas criança com autismo não está sendo importante em Campo Grande”, disse.
Além da saúde, o parlamentar criticou a situação da educação inclusiva. Segundo ele, a falta de Assistentes de Educação Inclusiva (AEIs) estaria fazendo com que mães fossem chamadas pelas escolas para buscar os filhos durante o horário de aula.
“Hoje o município não tem assistente de educação inclusiva. Liga para a mãe, 9 horas da manhã hoje não tem professor, vem buscar o teu filho”, relatou.
O vereador também cobrou que o município adote medidas para garantir o transporte dessas famílias diante dos problemas enfrentados nas escolas.
As reclamações citadas na Câmara estão sendo publicadas com frequência pelo TopMídiaNews ao longo deste ano.
Em março, uma mãe denunciou que três crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estavam sem assistente pedagógico em uma escola municipal de Campo Grande. Segundo a família, a ausência do profissional impedia os alunos de acompanhar normalmente as atividades.
No mesmo período, outra família relatou a falta de professor de apoio para uma criança autista de 7 anos, diagnosticada com TEA nível 3 e não verbal. A avó afirmou que a escola havia comunicado o problema à Secretaria Municipal de Educação, mas não havia solução até então.
Em junho, o TopMídiaNews também noticiou o caso de um menino de 9 anos, com autismo nível 2 de suporte, que sofreu uma fratura exposta no polegar após prender o dedo em uma porta da escola. A família afirmou que ele tinha laudo médico e necessitava de acompanhamento especializado, mas ainda aguardava um profissional de apoio.
Na Câmara, Maicon Nogueira afirmou que a falta de profissionais não pode ser tratada apenas como uma questão administrativa e cobrou que a Prefeitura priorize recursos para saúde mental e educação inclusiva.
