O transtorno do espectro autista (TEA) pode manifestar sinais desde os primeiros anos de vida. Porém, muitos pacientes só recebem o diagnóstico na adolescência ou na fase adulta. Entre os sinais, estão atrasos na fala, dificuldades na interação social, comportamentos repetitivos e sensibilidade a determinados sons.
Segundo o neurocirurgião Igor Loureiro, especialista em neurologia pediátrica e transtorno do espectro autista, o atraso na fala é um dos primeiros sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. “A criança tem um ano ou um ano e meio e não fala palavrinhas; tem dois anos e ainda não forma frases”, explica. Ele também cita o isolamento diante de outras crianças, comportamentos muito metódicos, dificuldade em lidar com contrariedades e crises intensas como características que merecem atenção.
Outros sinais incluem dificuldade para controlar as emoções, incômodo com barulhos, movimentos repetitivos e períodos de hiperfoco intenso. “Se observar isso, vale a pena acender a luz; não quer dizer que tenha autismo, mas busque um profissional”, orienta Loureiro. Para ele, procurar avaliação precocemente pode evitar que a criança passe por dificuldades sem o acompanhamento adequado. “É melhor ir lá e ouvir que não é autista do que o filho sofrer sem intervenção correta”, afirma.
Diagnóstico em adultos
O autismo também pode ser identificado na vida adulta. De acordo com Loureiro, os sinais são semelhantes aos observados na infância, mas podem aparecer de maneira diferente. “O adulto é aquele que não sabe como iniciar uma conversa, tem que treinar roteiros em casa, não consegue sustentar uma fala ou ter amizades e relacionamentos”, explica.
A rigidez comportamental também pode permanecer. O especialista cita como exemplo pessoas que precisam que as situações ocorram sempre de determinada maneira e têm dificuldade em lidar com mudanças ou contrariedades. “É a mesma rigidez da criança que não aceita ser contrariada”, afirma.
