O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) divulgou na semana passada uma carta aberta aos candidatos e candidatas a uma das 94 vagas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A entidade está incentivando os postulantes ao Parlamento paulista a assumir compromissos em defesa da democracia, dos direitos humanos, do fortalecimento dos serviços públicos e da defesa do trabalho jornalístico como pilar fundamental para a livre circulação de informações de interesse público.
Fundado em 15 de abril de 1937, o sindicato tem uma trajetória marcada pela defesa da democracia, da liberdade de imprensa, dos direitos humanos e da valorização do trabalho jornalístico em todo o estado de São Paulo. “Não temos dúvidas de que as eleições de 2026 serão decisivas para o futuro do Estado de São Paulo”, diz trecho do documento.
“Apenas a vitória eleitoral para o Poder Executivo não basta. Devemos contar com representantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que tenham compromisso com a construção de um projeto democrático e popular para o nosso estado”, continua o texto.
São Paulo tem 1.390 candidatos disputando as vagas na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) nas eleições de 2026.
Para a entidade, defesa da democracia, direitos humanos, fortalecimento dos serviços públicos e apoio ao trabalho jornalístico de interesse público “são pilares inegociáveis para a construção de um futuro digno para nossa população”. Veja os quatro eixos de defesa do sindicato:
Fortalecer a Comunicação Pública e Defender as e os Jornalistas
Fortalecimento da Rádio e TV Cultura: defesa de políticas públicas que garantam a autonomia financeira, administrativa e editorial da Fundação Padre Anchieta, responsável pela gestão da Rádio e TV Cultura, preservando seu caráter educativo, cultural e independente a pressões políticas. Neste sentido, é necessário o apoio à realização de concurso público para jornalistas.
Fim da terceirização na TV Alesp: é necessário o fim dos modelos de quarteirização e terceirização de trabalhadores e trabalhadoras na TV Alesp, assegurando a realização de concursos públicos para jornalistas e radialistas.
Proteção a jornalistas: criação de protocolos e canais de denúncia para garantir o livre exercício da imprensa e a integridade física de jornalistas, punindo de forma exemplar qualquer agressão ou tentativa de cerceamento ao trabalho jornalístico, de modo especial, a agente públicos e autoridades.
Segurança pública e fim da violência policial: reformulação das diretrizes de atuação das forças de segurança, com foco na desmilitarização e formação em Direitos Humanos e no fim imediato da violência policial, que atinge as periferias e os trabalhadores.
Reconstruir o patrimônio público
Volta da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo: após sucessivos ataques ao trabalho jornalístico, quase não há mais profissionais exercendo o papel de difundir informações de interesse público na Imprensa Oficial. É urgente reconstruir a comunicação pública e valorizar o trabalho jornalístico, com a realização de concursos públicos.
Fortalecimento do SUS e fim das privatizações na saúde: ampliação dos investimentos na saúde pública, com foco na atenção básica, valorização das carreiras dos profissionais de saúde e ampliação da rede de atendimento. Reversão dos contratos de gestão por Organizações Sociais (OSs) e o encerramento da entrega de hospitais e unidades de saúde à iniciativa privada.
Defesa da educação pública e fim das escolas cívico-militares: rejeição a qualquer modelo de mercantilização do ensino e garantia de escolas inclusivas, plurais e cidadãs. Revogação imediata de programas que militarizam as escolas e que a condução pedagógica seja exclusivamente realizada por educadores/as civis.
Soberania Popular e Reestatização de Serviços Essenciais
Reestatização da Sabesp: retomada do controle público sobre o saneamento básico, garantindo que a água e o esgoto sejam tratados como direitos humanos fundamentais e bens comuns, e não como fontes de lucro.
Reestatização da CPTM e Metrô: reversão das concessões das linhas de metrô e trens metropolitanos, assegurando que o transporte sobre trilhos retorne às mãos do Estado para garantir segurança, manutenção adequada e tarifas justas.
Direito à Cidade: Moradia e Mobilidade Urbana
Políticas públicas de moradia: implementação de programas de habitação de interesse social, urbanização de favelas, regularização fundiária e combate à especulação imobiliária, sobretudo, nas grandes cidades do Estado de São Paulo.
Mobilidade urbana como direito: investimento massivo no transporte coletivo público de qualidade, integração tarifária e progressão rumo à Tarifa Zero, garantindo o direito constitucional de ir e vir para toda a sociedade.
