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Príncipe Harry se afasta de longa data de instituição de caridade envolvida em escândalo de violações de direitos humanos antes de retornar ao Reino Unido

O príncipe Harry encerrou sua participação no conselho administrativo da African Parks, organização de conservação com a qual manteve uma relação por cerca de dez anos. A saída acontece pouco antes de seu retorno ao Reino Unido ao lado de Meghan Markle e em um momento delicado para a instituição, que esteve envolvida em uma investigação sobre denúncias de violações de direitos humanos contra comunidades indígenas na África.

A decisão de Harry foi confirmada pela própria organização nesta segunda-feira, quando a African Parks anunciou os novos integrantes de seu conselho. Um porta-voz do duque também afirmou ao Page Six que ele continua apoiando a causa ambiental e o trabalho desenvolvido pela entidade.

Príncipe Harry — Foto: Getty Images
Príncipe Harry — Foto: Getty Images

“O Duque se orgulha de seus 10 anos com a African Parks e apoia integralmente o fortalecimento contínuo de seu Conselho”, disse um porta-voz de Harry ao Page Six na segunda-feira. “Seu compromisso com a conservação na África continua, e ele permanece um apoiador da missão da African Parks.”

O presidente da African Parks, Vas Narasimhan, também fez questão de agradecer publicamente ao príncipe pelos anos de colaboração com a instituição.

“Agradecemos a todos os membros do Conselho que generosamente dedicam seu tempo como voluntários em apoio à nossa missão de conservação – e em especial ao Duque de Sussex, por uma década de serviços prestados à African Parks”, afirmou o presidente Vas Narasimhan em um comunicado divulgado no site da instituição de caridade.

Príncipe Harry — Foto: Getty Images
Príncipe Harry — Foto: Getty Images

Harry, atualmente com 41 anos, iniciou sua relação oficial com a African Parks em 2016. Durante seis anos, ocupou a posição de presidente da organização. Em 2023, deixou essa função e passou a integrar o conselho administrativo.

A saída ocorre dentro de um contexto em que a permanência de administradores em organizações beneficentes costuma seguir regras específicas de governança. De acordo com o Código de Governança de Organizações Beneficentes, espera-se que os administradores cumpram mandatos de até três anos, com possibilidade de recondução para períodos adicionais, chegando a um limite de nove anos.

Ao longo dos anos, a ligação de Harry com a África se tornou uma das questões mais importantes de seu trabalho filantrópico. O príncipe já falou diversas vezes sobre o significado pessoal que o continente tem para ele e sobre como suas experiências na região foram marcantes desde a adolescência.

Príncipe Harry — Foto: GettyImages
Príncipe Harry — Foto: GettyImages

Em agosto de 2022, ele realizou uma viagem à África relacionada às atividades desenvolvidas com a African Parks. Antes disso, Harry e Meghan também haviam levado o filho, Archie, ao continente em setembro de 2019.

Em um discurso realizado nas Nações Unidas, em julho de 2022, o príncipe voltou a mencionar sua relação afetiva com a África e explicou por que considera o continente tão importante em sua trajetória.

“Desde que visitei a África pela primeira vez, aos 13 anos, sempre encontrei esperança no continente. Aliás, durante a maior parte da minha vida, ele tem sido a minha tábua de salvação”, disse ele em seu discurso.

Príncipe Harry — Foto: Getty Images
Príncipe Harry — Foto: Getty Images

“Foi onde me senti mais próximo da minha [falecida] mãe, [a Princesa Diana], e onde busquei consolo após a sua morte, e onde soube que tinha encontrado a minha alma gêmea na minha esposa.”

Segundo a descrição oficial, a African Parks é uma “organização de conservação sem fins lucrativos que assume a responsabilidade pela gestão a longo prazo de áreas protegidas em parceria com governos e comunidades locais”.

A entidade, porém, passou a enfrentar uma grave crise depois que surgiram acusações relacionadas à atuação de seus guardas florestais. No ano passado, a organização abriu uma investigação interna para apurar denúncias de que agentes teriam estuprado, espancado e torturado integrantes de comunidades indígenas na África.

Ao concluir parte das apurações, a African Parks reconheceu que “em alguns incidentes, ocorreram violações dos direitos humanos”.

“Lamentamos profundamente a dor e o sofrimento causados ​​às vítimas”, afirmou o grupo em um comunicado de maio de 2025. “Não há lugar para qualquer forma de abuso em nome da conservação.”

A organização também admitiu que a investigação revelou problemas internos que precisariam ser corrigidos. A African Parks afirmou que a investigação “evidenciou diversas falhas em nossos sistemas e processos, que se mostraram insuficientes para o nível de responsabilidade que nos foi atribuído”, além de declarar que o grupo está “empenhado em retificar esses problemas e garantir a proteção dos direitos humanos em todas as nossas operações”.

“Além disso, sempre que houver provas suficientes, tomaremos medidas contra os funcionários envolvidos em incidentes ainda desconhecidos ou que não tenham sido devidamente tratados”, prosseguiu o comunicado.

A saída da African Parks acontece poucos meses depois de Harry também ter deixado outra organização de grande importância em sua trajetória: a Sentebale, instituição criada por ele em homenagem à princesa Diana. Em março de 2025, o duque anunciou sua renúncia à organização, que havia cofundado em 2006. A decisão ocorreu depois de um conflito público com a então presidente da entidade, Dra. Sophie Chandauka.

Príncipe Harry — Foto: Getty Images
Príncipe Harry — Foto: Getty Images

Chandauka apresentou uma denúncia contra Harry à Comissão de Caridade da Inglaterra e do País de Gales, órgão responsável pela regulamentação do setor, envolvendo acusações de bullying e assédio. Posteriormente, uma investigação não encontrou evidências de “bullying, assédio, misoginia ou misoginia contra mulheres negras generalizados ou sistêmicos”.

O conflito, entretanto, ganhou novos capítulos. Em abril, a Sentebale entrou com uma ação contra Harry por difamação e calúnia, acusando o príncipe de promover uma “campanha coordenada de mídia negativa” que teria “causado interrupções operacionais e danos à reputação da instituição de caridade, sua liderança e seus parceiros estratégicos”.

Na ocasião, um porta-voz do duque afirmou ao Page Six que Harry e sua equipe “rejeitam categoricamente” as “alegações ofensivas e prejudiciais” apresentadas pela Sentebale. A saída da African Parks acontece justamente quando Harry e Meghan se preparam para uma nova fase de suas vidas. Na última quarta-feira, foi confirmado que o casal pretende retornar ao Reino Unido no fim do mês para uma estadia mais longa.

Os dois também teriam matriculado os filhos, o príncipe Archie e a princesa Lilibet, em uma escola local, em uma mudança que representa uma aproximação significativa com o país que Harry deixou para trás após abandonar suas funções como integrante sênior da família real.

Príncipe Harry, Príncipe Archie, Princesa Lilibet e Meghan Markle — Foto: Reprodução/Instagram
Príncipe Harry, Príncipe Archie, Princesa Lilibet e Meghan Markle — Foto: Reprodução/Instagram

Fontes citadas pelo Page Six afirmaram que uma das razões para a decisão seria a intenção de ficar mais perto do rei Charles III, pai de Harry, que atualmente enfrenta um tratamento contra o câncer. A mudança, no entanto, pode aumentar ainda mais as tensões dentro da família real. Segundo o repórter especializado em realeza Tom Sykes, a decisão de Harry e Meghan representa “uma enorme afronta” ao príncipe William, irmão do duque, em meio ao relacionamento ainda estremecido entre os dois.

Com a saída da African Parks, Harry encerra mais um importante capítulo de sua atuação filantrópica justamente no momento em que se prepara para passar mais tempo no Reino Unido. A decisão também coloca em evidência a complexa relação do duque com instituições beneficentes que fizeram parte de sua trajetória após deixar as funções oficiais na monarquia.

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