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Pai vira Homem-Aranha para filho autista em Senador Canedo

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Uma surpresa diferente emocionou alunos e funcionários da Escola Municipal João Soares, no bairro Uirapuru, em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. O professor de CrossFit, Helivelton Tavares, de 36 anos, decidiu vestir uma fantasia de Homem-Aranha e visitar a escola do filho, Théo, de 6 anos, como forma de agradecer pelo carinho e pela inclusão que a comunidade escolar oferece à criança.

Théo é autista e também tem TDAH. Segundo o pai, ele ainda não é verbal e costuma ser bastante agitado, mas encontrou na escola um ambiente onde é acolhido pelos professores, funcionários e colegas.

Em entrevista ao Mais Goiás, Helivelton contou que a ideia de vestir a fantasia surgiu da relação de Théo com o personagem. O menino ganhou alguns brinquedos do Homem-Aranha e costuma assistir aos filmes com o pai. Além de fazer uma surpresa para o filho, ele também pensou nos colegas da turma, que, segundo ele, demonstram carinho por Théo diariamente.

“Todo dia que eu chego para deixar, as crianças falam: ‘Oi, Théo, tudo bem? Ó, hoje o Théo veio’. Então foi pensando neles também, como uma forma de gratidão”, contou.

No dia da visita, a escola realizava uma programação especial para a semana do Dia das Crianças, com futebol de sabão, piscina e pula-pula. Como Théo gosta de atividades com água, estava aproveitando a programação e não queria sair quando a cuidadora e a mãe, Bruna de Cássia Albuquerque, foram buscá-lo para conhecer o Homem-Aranha.

Théo reconhece o pai pela voz

Antes mesmo de encontrar o filho, Helivelton passou cerca de 15 a 20 minutos interagindo com outras crianças. Segundo ele, os alunos se aproximavam, perguntavam se ele era realmente o Homem-Aranha e queriam abraçá-lo.

Quando chegou o momento de encontrar Théo, a cuidadora e Bruna foram buscá-lo. O menino não queria deixar a atividade, mas acabou se aproximando do personagem.

Bruna perguntou quem estava diante dele e pediu que tirasse a máscara. Foi então que Théo reconheceu o pai e respondeu: “Papai”. Logo depois, saiu irritado porque queria voltar para a atividade.

“Foi a primeira vez que ele falou, em um ambiente onde tinha muitas pessoas, ‘papai’. Até no vídeo ele fala ‘papai’. Ele reconheceu, acho, pela voz”, relatou Helivelton ao Mais Goiás.

Para o pai, a reação de do filho tornou a visita ainda mais especial. Ele explicou que, em outras situações, o menino também consegue reconhecer sua voz, mesmo quando está dormindo e Helivelton chega do trabalho.

Escola ajuda na inclusão de Théo

Helivelton conta que a relação de Théo com os colegas começou desde os primeiros dias na escola. Segundo ele, a professora conversou durante cerca de 10 a 15 minutos com a turma para explicar as características do menino e orientar os alunos sobre como poderiam ajudá-lo.

A estratégia, segundo o pai, fez diferença na convivência. As crianças costumam chamar Théo para brincar, ajudá-lo e interagir com ele, mesmo quando ele não consegue responder ou acaba mexendo nos materiais dos colegas.

“Eles meio que não diferenciam ele por ele ser autista, por ele não entender, por ele não falar. Eles tentam interagir com ele, tentam conversar”, relatou em entrevista ao Mais Goiás.

O carinho também parte da direção e dos demais funcionários. Helivelton cita especialmente a direção e a cuidadora, além da atenção dada à família quando surgem dúvidas ou preocupações sobre Théo.

Segundo ele, Bruna costuma entrar em contato com a escola quando fica preocupada com alguma situação envolvendo o filho e recebe retorno dos funcionários.

“Você está deixando o seu filho para ele viver, aprender o que é a vida, mas num lugar onde pessoas estão cuidando dele como se fosse filho delas”, afirmou.

Para Helivelton, a convivência com outras crianças tem contribuído para o desenvolvimento e a socialização de Théo. O menino gosta tanto da escola que, em alguns dias, não quer ir embora quando os pais chegam para buscá-lo.

Homem-Aranha para cerca de 200 crianças

Inicialmente, Helivelton havia pensado em fazer a surpresa apenas para a turma de Théo. Depois de comprar a fantasia, porém, decidiu ampliar a ação para as demais crianças da escola.

Durante o período da tarde, ele distribuiu pirulitos para cerca de 200 alunos. O momento também rendeu situações que emocionaram o pai.

Em uma delas, enquanto entregava o doce a uma criança, ouviu: “Homem-Aranha, muito obrigado. Eu tinha muito tempo que eu não chupava um pirulito, que o meu pai não tem condição de comprar”.

“Cara, me arrebentou por dentro”, contou Helivelton ao Mais Goiás.

Para ele, a fala fez com que a experiência ganhasse outro significado. O pai de Théo afirma que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo filho por causa do autismo e do TDAH, a visita também o fez perceber que outras crianças podem enfrentar dificuldades diferentes dentro de casa.

A ação ainda gerou mensagens de pais nas redes sociais. Segundo Helivelton, algumas mães contaram que os filhos passaram a noite falando sobre a visita do Homem-Aranha.

“Foi algo que Deus tocou no meu coração, que eu tinha pensado em fazer para a turma do Théo”, disse.

Além da escola, Helivelton também utiliza o esporte como parte da rotina de desenvolvimento do filho. Professor de CrossFit, ele leva Théo para praticar a modalidade em um box onde trabalha. Segundo o pai, o esporte, as terapias e a escola têm contribuído para a socialização do menino.

Para Helivelton, a visita foi mais do que uma fantasia. Foi uma maneira de agradecer às pessoas que, diariamente, ajudam Théo a ocupar seu espaço junto às outras crianças.

“Para um pai e para uma mãe, saber que está deixando o filho em sala de aula e a turma toda acolhe o Théo, entende ele e tenta interagir com ele é superimportante”, afirmou ao Mais Goiás.

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