A ONU se prepara para reconduzir Volker Türk ao cargo de Alto Comissário de Direitos Humanos, desconsiderando críticas severas de Washington e Tel Aviv sobre sua atuação.
Segundo o Al Jazeera, a Assembleia Geral da ONU deve aprovar em 24 de julho de 2026 a recondução de Volker Türk ao cargo de Alto Comissário de Direitos Humanos, com projeção de 144 votos a favor, 10 contra e 13 abstenções.
Estados Unidos, Israel, Rússia e Coreia do Norte estão entre os dez países que devem votar contra.
Se completar o segundo mandato, Türk será o primeiro chefe de direitos humanos da ONU a cumprir dois períodos integrais de quatro anos desde a criação do cargo, em 1993.
A União Europeia já declarou apoio à recondução, afirmando esperar trabalhar com o escritório de Türk para promover e proteger direitos humanos em todo o mundo. O próprio Türk reagiu nas redes sociais dizendo estar “profundamente grato” e que “direitos humanos são o antídoto para a turbulência e o derrotismo atuais”.
A oposição de Israel tem raiz direta nas declarações do comissário sobre Gaza. Türk classificou a guerra como genocida, criticou os ataques ao Líbano e denunciou a “vergonhosa” falta de responsabilização por abusos nos territórios palestinos ocupados.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel revidou, acusando-o de ter “apagado os horrores de 7 de outubro, mal utilizado fundos e traído a neutralidade da ONU em favor do radicalismo político corrupto”.
Washington foi igualmente dura. O representante americano para gestão e reforma da ONU, Jeff Bartos, afirmou que o sistema de direitos humanos da ONU “perde credibilidade há décadas” e que Türk “o levou ao leito de morte”. O Departamento de Estado classificou a votação de “outro exemplo da corrupção e incompetência inerentes à ONU”.
O secretário-geral António Guterres, cujo mandato expira em dezembro, também foi alvo de críticas pelo ritmo acelerado do processo. Ele enviou cartas aos grupos regionais no início de julho e concluiu a consulta em poucas semanas, o que foi um dos principais focos da insatisfação americana.
