A crise humanitária no Sudão do Sul pode aprofundar-se de forma drástica, abrindo caminho para novas atrocidades caso os confrontos armados não sejam interrompidos de imediato.
O alerta foi feito nesta quinta-feira, em Genebra, pela Comissão de Direitos Humanos da ONU no país que, além do risco iminente de atrocidades, adverte para o risco de fracasso do processo eleitoral.
Às vésperas das primeiras eleições
Como etapa essencial de sua transição democrática, a nação africana deve realizar as primeiras eleições de sua história em 22 de dezembro de 2026. O processo, inicialmente programado para períodos anteriores, já enfrentou dois adiamentos sucessivos, em 2022 e 2024.
Comissários da ONU apelam por uma ação urgente da comunidade internacional e dos líderes sul-sudaneses
No entanto, neste “momento crítico da história recente” do mais jovem país africano, vários fatores de risco para crimes de atrocidade estão presentes.
Entre eles, a comissão lista genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, aliados à limpeza étnica, convergindo de forma perigosa.
Os principais pontos da crise atual envolvem a retomada dos conflitos, com registros de novos choques armados nos estados do Alto Nilo, Jonglei, Unidade, Equatória Ocidental e Equatória Central.
Sinais de alerta
Outra questão que o país enfrenta é o alto número de violações do cessar-fogo, com a confirmação de 407 infrações aos acordos de trégua ocorridas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.
Quase metade das disposições fundamentais do Acordo de Paz de 2018 permanece sem implementação, incluindo a unificação das forças de segurança do país.
Comissários apelam por uma ação urgente da comunidade internacional e dos líderes sul-sudaneses
Os fatores de risco ativos incluem sinais de alerta para a presença de alegados crimes atrozes, definidos pelo marco internacional, que se intensificam em meio à atual realidade.
Divisões políticas
Em um alerta sobre as eleições, os comissários Yasmin Sooka, Barney Afako e Carlos Castresana Fernández disseram que realizar pleitos sem proteções essenciais pode aprofundar as divisões políticas e transformar o processo democrático em um novo campo de batalha.
Para Castresana Fernández, “uma eleição não é crível simplesmente por ser realizada dentro do prazo, mas quando os cidadãos podem votar sem medo, os opositores políticos podem participar livremente e as instituições limitam o exercício do poder”.
Para a comissão, a janela de oportunidade está se fechando rapidamente para evitar um retorno aos horrores e deslocamentos em massa vividos entre 2013 e 2018. Os comissários apelam por uma ação urgente da comunidade internacional e dos líderes sul-sudaneses.
