O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos afirmou que acompanha de perto as eleições no Brasil. Além disso, alertou para o que classificou como uma “preocupante disseminação de desinformação”.
Na semana passada, o órgão recebeu uma carta do Instituto Vladimir Herzog. O documento trouxe denúncias sobre uma possível ingerência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A entidade também pediu uma manifestação pública da ONU.
Segundo o Instituto, pressões econômicas ou diplomáticas podem comprometer a livre formação da vontade dos eleitores. O mesmo vale para campanhas de desinformação e tentativas de desacreditar instituições eleitorais e judiciais.
Além disso, a entidade afirmou que essas ações podem afetar a liberdade de expressão e o espaço cívico. Também poderiam atingir a independência das instituições e a atuação de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil.
Ao ICL Notícias, a porta-voz do Alto Comissariado da ONU, Ravina Shamdasani, confirmou o recebimento da carta.
“Tomamos nota das preocupações nela levantadas”, afirmou.
A porta-voz ressaltou, porém, que a ONU não costuma comentar processos políticos em andamento. Ainda assim, destacou a preocupação com a desinformação durante períodos eleitorais.
“O Escritório de Direitos Humanos da ONU está acompanhando a situação dos direitos humanos no Brasil às vésperas das eleições — assim como fazemos globalmente com países que passam por processos eleitorais —, incluindo a disseminação preocupante de desinformação que tem afetado muitas eleições ao redor do mundo”, disse.
Carta a António Guterres
Além da carta ao Alto Comissariado, o Instituto Vladimir Herzog enviou outro documento ao gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres.
A iniciativa faz parte de uma articulação de movimentos da sociedade civil. O objetivo é mobilizar a comunidade internacional em torno do reconhecimento do resultado das eleições brasileiras.
Segundo o texto, existe o temor de que, em uma eventual vitória de Lula, o governo de Donald Trump e seus aliados se recusem a reconhecer o resultado das urnas.
Por isso, a carta busca alertar a ONU. Além disso, pede que Guterres incentive outros países a reconhecerem o resultado da eleição no Brasil.
Delegação nos Estados Unidos
Rogério Sottili, diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, afirmou que participou de uma delegação da sociedade civil brasileira entre 20 e 24 de julho deste ano.
A missão passou por Washington e Nova York. Ao todo, 15 organizações brasileiras participaram da iniciativa.
No documento enviado à ONU, a entidade também afirmou que uma eventual ingerência externa não representaria apenas uma ameaça à soberania brasileira.
Segundo o Instituto, a medida poderia afetar direitos humanos protegidos internacionalmente. Entre eles, está o direito de participar dos assuntos públicos e de escolher livremente seus representantes.
