A subida do nível do mar tem consequências significativas para os direitos humanos, o desenvolvimento económico, a saúde, a cultura, o futuro de muitos países e a própria dignidade humana, alerta a Organização das Nações Unidas.
O aviso surge numa altura em que, segundo a ONU, o oceano está a subir mais rapidamente do que em qualquer outro período da história, com terras a serem inundadas e populações a serem realojadas devido a cheias.
“Não é apenas o ambiente que está a ser afetado. A subida do nível do mar tem também consequências significativas para os direitos humanos, o desenvolvimento económico, a saúde, a cultura, o futuro de muitos países e a própria dignidade humana”, lê-se num comunicado da Organização.
Neste sentido, a ONU clarifica que praticamente todas as regiões são afetadas por este fenómeno, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. Assim, a capacidade de agir e de se adaptar torna-se decisiva para determinar se a subida do nível do mar é “controlável ou uma crise geracional”.
Entre 2014 e 2023, o nível médio global do mar aumentou 4,7 milímetros por ano. Já em 2024, as águas registaram uma subida recorde de 5,9 milímetros.
Mesmo no cenário mais otimista, os oceanos poderão subir até 0,55 metros até 2100, segundo a ONU. No pior cenário, a subida poderá ultrapassar um metro. Além disso, num contexto de elevadas emissões, existe ainda uma possibilidade, embora reduzida, de o nível do mar aumentar quase dois metros até ao final do século.
De acordo com as Nações Unidas, esta subida resulta de dois fatores: o derretimento dos glaciares e dos calotes polares, graças às alterações climáticas; e a expansão térmica dos oceanos, uma vez que à medida que a água aquece, ocupa mais espaço.
Atualmente, cerca de 91% do excesso de calor acumulado no planeta está a ser absorvido pelos oceanos. Assim, à medida que o clima aquece devido ao aumento das emissões de gases com efeito de estufa, uma parte da futura subida do nível do mar fica inevitavelmente comprometida.
Segundo a ONU, cerca de 770 milhões de pessoas, aproximadamente uma em cada dez no mundo, vivem a menos de cinco metros acima da linha da maré alta. Para a organização, “esta proximidade é preocupante” e os seus efeitos já estão a ser sentidos.
Algumas projeções indicam que até 1,2 mil milhões de pessoas poderão ser deslocadas em todo o mundo até 2050, à procura não apenas de terrenos mais seguros, mas também de locais onde possam reconstruir os seus meios de subsistência.
Novas previsões sugerem ainda que os riscos associados à subida do nível do mar poderão estar a ser “significativamente subestimados” em algumas regiões, o que significa que dezenas de milhões de pessoas adicionais poderão estar vulneráveis.
Para além dos impactos físicos, estão também em risco o património cultural, as terras ancestrais e os modos de vida tradicionais, com consequências psicológicas profundas para as comunidades afetadas, sublinha a ONU.
De momento, os danos nas infraestruturas costeiras já ultrapassam os 1,8 biliões de dólares, sendo que, sem medidas de adaptação, as perdas globais anuais poderão atingir 1,4 biliões de dólares.
Muitos dos países que enfrentam os riscos mais imediatos são precisamente aqueles que menos contribuíram para as emissões responsáveis pela subida do nível do mar e que, simultaneamente, dispõem de menos recursos para responder.
De acordo com a ONU, ainda que não seja possível recuperar totalmente o nível do mar que já está inevitavelmente comprometido, a dimensão do aumento futuro dependerá da capacidade de reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa.
Assim, abandonar progressivamente os combustíveis fósseis responsáveis pelas alterações climáticas é a principal prioridade para travar o aquecimento global e desacelerar a subida do nível do mar.
No entanto, são também necessárias medidas de adaptação imediatas como sistemas de alerta precoce para proteger as populações antes de uma catástrofe e a construção de barreiras costeiras, recuperação de dunas e retirada planeada de populações de zonas ameaçadas, alerta a ONU.
