InícioautismoNova ferramenta gratuita ajuda autistas a se comunicar - 13/08/2026 - Vidas...

Nova ferramenta gratuita ajuda autistas a se comunicar – 13/08/2026 – Vidas Atípicas

Como mãe de uma criança que tem muita dificuldade de se comunicar pela fala, já gastei algumas horas olhando para pranchas de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa) e buscando construir frases por meio delas. É um complexo abrir e fechar de pastas em busca de palavras, que exige prática.

A CAA é um conjunto de diferentes tipos de recursos que apoiam uma pessoa a se comunicar, seja se expressando ou compreendendo o que é dito. São ferramentas variadas, como pictogramas impressos, gestos e sinais, ou aplicativos para tablets, celulares e computadores. No nosso caso, usamos o aplicativo do TD Snap no iPad.

Nele, temos uma primeira prancha com palavras mais usadas e ícones que abrem outras pranchas, como pessoas (da família, da escola, amigos e terapeutas), lugares (gerais e de preferência) e ações.

Abrindo e fechando diferentes pranchas, vamos construindo uma frase. Depois clicamos em “falar” e uma voz diz o que está escrito ali em pictogramas.

Muitas vezes, esses aplicativos não flexionam verbos em português, custam caro ou só rodam em dispositivos da Apple —iPads que são muito manipulados durante o dia e caem ou são jogados no chão com muita frequência.

Na última semana, o vídeo de um pesquisador vinculado à Poli da USP correu o Instagram. Ele pedia ajuda. “E não é dinheiro”, ele dizia. Emanuel Santana estava promovendo uma plataforma recém-lançada por ele, dentro desse projeto de pesquisa, que avança algumas casas na comunicação pela CAA.

O Adapte Board, já disponível para uso, é uma ferramenta gratuita que pode ser usada em diferentes tipos de dispositivo. Um ponto interessante é que ela permite a flexão dos verbos em português. Assim, o que poderia ser lido pela voz do aplicativo como “eu não querer ir escola querer parque mamãe”, acaba sendo construído e lido com mais facilidade como “eu não quero ir para escola quero ir para parque com mamãe”.

Isso pode parecer um detalhe, mas a comunicação soa mais amigável e natural com essas flexões.

Outro ponto interessante da ferramenta é ter uma trilha de palavras sugeridas que vai mudando à medida que a pessoa vai clicando nos ícones. Por exemplo, após clicar em “eu”, a barra de sugestões pode oferecer “querer”, “ir”, “brincar”.

Segundo Santana, a ideia é que essas sugestões de palavras variem conforme o horário do dia e o local onde a pessoa está. Desse modo, as sugestões da manhã seriam diferentes das da noite —”bom dia” de manhã e “boa noite” no final do dia—, além de mudarem conforme a pessoa estivesse na escola, no shopping ou em casa.

Pelo acompanhamento que ele faz do uso atual da plataforma, a combinação mais popular é “eu quero comer”. E dizer “não” é mais buscado que dizer “sim”. Nas palavras dele: “As pessoas querem dizer ‘não’, mas não conseguem”. Ainda segundo ele, o objetivo é poder oferecer as palavras caderno, matemática e professor na escola e, na clínica, oferecer “não quero mais, acabou”, porque eles querem brincar.

O Adapte Board também tem um recurso que permite que cada pessoa cadastre frases preferidas e que, às vezes, são adaptadas pela pessoa para usos diferentes do original. Por exemplo, frases de filmes e desenhos usadas para expressar um sentimento que por alguma razão a pessoa associou àquela palavra ou frase (gestalts). Meu filho, quando contrariado, costuma dizer “‘s’ de ‘sereia'”, que vem de um desenho da Galinha Pintadinha; ainda não entendi como essa expressão se conecta à frustração dele.

Além de gravar a frase preferida, a prancha permite incluir variações dela, apoiando a pessoa a se comunicar de outras formas. Nessa frase do meu filho, talvez pudéssemos colocar uma variação “não gostei” ou “estou bravo”.

Ouvi Santana como se estivesse ouvindo a mim mesma. Ele disse que o filho Thiago, hoje com 17 anos, autista de nível 3 de suporte, aprendeu a usar a CAA —pela TD Snap, a mesma do meu filho—, mas que ele próprio não aprendia a manejar o sistema —como eu. Ele teve, então, a ideia de fazer um estudo de palavras no espaço-tempo. Daí veio a prancha.

O próximo passo, ele disse à coluna, vai ser oferecer o sistema em outras línguas.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Veja a matéria completa aqui!

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Publicidade -

mais vistas