A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, visitaram a exposição “Atlântico Sertão”, em cartaz no Museu de Arte da Bahia, em Salvador. A visita foi conduzida pela idealizadora do projeto, Marina Maciel, e pelo curador Marcelo Campos. Também participaram Tarciana Medeiros, presidenta do Banco do Brasil, e Júlio Paranaguá, gerente-geral do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Salvador.
A mostra reúne trabalhos de mais de 80 artistas, com predominância de representantes das regiões Nordeste e Norte, e propõe uma abordagem da arte contemporânea a partir de questões relacionadas à memória, à história, à resistência cultural e à defesa dos direitos humanos. A exposição tem entrada gratuita e funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 18h, com acesso do público permitido até as 17h30.
Durante a visita, os representantes das instituições também anunciaram que o CCBB Salvador começará a funcionar em 21 de novembro, no Palácio da Aclamação, no Campo Grande. A abertura da nova unidade amplia a presença da rede de centros culturais mantida pelo Banco do Brasil na capital baiana.
Exposição Atlântico Sertão reúne mais de 80 artistas
A exposição “Atlântico Sertão” apresenta pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações que exploram as relações entre os conceitos de Atlântico e Sertão. A proposta curatorial estabelece conexões entre deslocamentos históricos, experiências de violência colonial, produção artística e circulação de saberes.
Entre os artistas presentes na mostra estão Nádia Taquary, Yacunã Tuxá, Lita Cerqueira, J. Cunha, Ayrson Heráclito e Zé di Cabeça. As obras integram um conjunto que busca ampliar a representação de diferentes territórios, experiências sociais e referências culturais brasileiras.
A exposição aborda o Atlântico como espaço historicamente marcado pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas e pelos deslocamentos forçados, enquanto o Sertão é apresentado para além das interpretações que o associam ao isolamento e à marginalização. A proposta destaca esses territórios como espaços de criação, resistência e produção de conhecimento.
Marina Maciel e Marcelo Campos conduzem projeto curatorial
Idealizada por Marina Maciel, mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), “Atlântico Sertão” integra uma iniciativa que investiga a arte como instrumento de defesa dos direitos humanos. O projeto articula pesquisa teórica e intervenções artísticas para discutir memória, reparação histórica e transformação social.
A curadoria é coordenada por Marcelo Campos, curador-chefe do Museu de Arte do Rio (MAR), em parceria com Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. O trabalho reúne diferentes perspectivas artísticas em torno das relações entre território, identidade, história e direitos humanos.
Durante a visita, Marcelo Campos destacou a importância da circulação da exposição por diferentes cidades brasileiras e da participação das instituições culturais no incentivo à produção artística nacional.
“É importante receber a presidenta do Banco do Brasil, a ministra Margareth Menezes e o governador Jerônimo Rodrigues. É um motivo de orgulho porque essa é uma exposição produzida pelo CCBB, que já vem de São Paulo, agora está em Salvador e vai para Brasília e acho que é um movimento pra gente se unir em torno da arte e da cultura brasileira”, afirmou o curador.
Mostra aborda memória do tráfico transatlântico e reparação histórica
A chegada da exposição a Salvador marca sua primeira temporada no Nordeste, após a passagem por São Paulo. A escolha da capital baiana estabelece uma relação entre a proposta da mostra e a história da cidade, que teve papel central no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas durante o período colonial.
Marina Maciel relacionou a realização da exposição na capital baiana à possibilidade de discutir as consequências históricas da escravidão e o papel da arte na construção de iniciativas de memória e reparação.
“Nesta travessia de todos os Atlânticos, é a primeira vez que chegamos ao Nordeste. E chegamos a Salvador, primeira capital do país, que nos acolhe com tanta beleza e força cultural ancestral, e que foi um dos maiores portos de entrada do tráfico transatlântico, reconhecido este ano pela ONU como crime contra a humanidade”, declarou a idealizadora.
Maciel também afirmou que o projeto pretende utilizar a produção artística para promover reflexões sobre direitos humanos e reparação histórica. Segundo ela, a exposição convida o público a conhecer diferentes interpretações do Sertão brasileiro, apresentadas por meio de obras que articulam experiências, memórias e perspectivas culturais.
CCBB Salvador será instalado no Palácio da Aclamação
Durante a visita à exposição, Margareth Menezes, Jerônimo Rodrigues, Tarciana Medeiros e Júlio Paranaguá anunciaram a data prevista para a abertura do Centro Cultural Banco do Brasil Salvador: 21 de novembro, no Palácio da Aclamação, localizado no Campo Grande.
O novo equipamento cultural integrará a rede do CCBB, gerida e mantida pelo Banco do Brasil com o objetivo de ampliar o acesso à cultura e promover a produção artística nacional. A instituição já mantém unidades no Rio de Janeiro, em Brasília, em São Paulo e em Belo Horizonte.
A instalação em Salvador representa a ampliação territorial da rede na região Nordeste. A presença do centro cultural poderá fortalecer a oferta de exposições e outras atividades artísticas na capital, conforme a programação que vier a ser desenvolvida pela unidade.
Entrada gratuita e horários de visitação em Salvador
A exposição “Atlântico Sertão” permanece em cartaz no Museu de Arte da Bahia, com entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 18h. O acesso dos visitantes é permitido até as 17h30.
A programação oferece ao público a oportunidade de conhecer obras de artistas de diferentes regiões do país e entrar em contato com questões relacionadas à história brasileira, à diversidade cultural, à memória e aos direitos humanos.
A realização é do Centro Cultural Banco do Brasil, com seleção no Edital CCBB 2026-2027 e viabilização por meio da Lei Rouanet. O projeto conta ainda com apoio da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores, e do Museu de Arte do Rio.
Itinerância prevê próxima etapa em Brasília
Após a temporada em Salvador, “Atlântico Sertão” seguirá para Brasília, dando continuidade à itinerância iniciada em São Paulo. O percurso conecta diferentes públicos à proposta curatorial e amplia a circulação das obras e dos debates apresentados pela exposição.
A iniciativa é desenvolvida pelo Coletivo Atlântico, que articula a pesquisa de Marina Maciel à realização de ações artísticas voltadas à reflexão sobre questões sociais e históricas. A exposição utiliza diferentes linguagens para estabelecer diálogos entre o passado, as identidades culturais e os desafios contemporâneos relacionados aos direitos humanos.
A visita de Margareth Menezes e Jerônimo Rodrigues reforçou a presença de representantes dos setores público e cultural na apresentação da mostra em Salvador. Ao mesmo tempo, o anúncio da abertura do CCBB na capital baiana marcou uma nova etapa para a expansão da rede de equipamentos culturais do Banco do Brasil.
Com mais de 80 artistas, entrada gratuita e programação voltada à arte contemporânea, “Atlântico Sertão” amplia o debate sobre memória, resistência e identidade cultural em Salvador. A exposição permanece aberta no Museu de Arte da Bahia, enquanto a instalação do CCBB no Palácio da Aclamação tem abertura anunciada para 21 de novembro.
