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Maratona de Cartas: Três casos, milhões de envios e um pastel de nata

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26 Outubro 2026

 

  • Maior evento de direitos humanos organizado pela Amnistia Internacional em todo o mundo celebra 25 anos e decorre de 19 de outubro e 31 de dezembro
  • Milhões de pessoas são convidadas a escrever cartas, assinar petições, organizar eventos, partilhar informação nas redes sociais, gravar vídeos ou criar desenhos
  • Iniciativa global já ajudou a melhorar a situação de mais de 100 pessoas em todo o mundo

 

 

A Amnistia Internacional assinalou, no dia 19 de outubro, o início da Maratona de Cartas 2026, o maior evento de direitos humanos em todo o mundo, que comemora 25 anos de existência e decorre até 31 de dezembro. Até lá, a Amnistia Internacional mobiliza milhões de pessoas para que atuem em defesa de pessoas e comunidades que veem os seus direitos humanos violados.

Desde 2001, milhões de pessoas em todo o mundo têm-se unido em torno de uma convicção simples, mas poderosa: a de que pessoas comuns – onde quer que estejam – podem ajudar a mudar a vida de outra pessoa.

Juntas, têm ajudado a garantir a libertação de pessoas detidas ilegalmente, a reunir famílias, a contestar leis abusivas e a lembrar a inúmeras pessoas que não foram esquecidas.

Após a divulgação dos casos de 2026, milhões de pessoas são convidadas a escrever cartas, assinar petições, organizar eventos, partilhar informação nas redes sociais, gravar vídeos ou criar desenhospara demonstrar solidariedade com as pessoas e comunidades em risco, fazer donativos e juntar-se ao movimento.

As três pessoas apresentadas na campanha deste ano são provenientes de diferentes países e contextos, mas, em conjunto, as suas histórias revelam um padrão global preocupante. Por trás de cada história está uma pessoa cujos direitos e liberdades foram violados – e cuja coragem recorda porque é importante agir.

 

Owen Chow - Hong Kong. (Imagem © Amnistia Internacional)Owen Chow - Hong Kong. (Imagem © Amnistia Internacional)
Imagem © Amnistia Internacional

Owen Chow: como um pastel de nata valeu ida para a solitária 

Descrito pelos amigos como aventureiro e filosófico, Owen Chow estudou enfermagem e é um budista tibetano praticante que sempre quis ter um cão e adora pastéis de nata.

Apesar dos riscos, quando tinha 23 anos, Owen concorreu destemidamente às “primárias” não oficiais destinadas a selecionar candidatos para as eleições seguintes. Em resposta, as autoridades acusaram Owen e outras 46 pessoas de conspiração para cometer subversão.

Em 2021, Owen foi detido e, em 2024, condenado a mais de 12 anos de prisão. Só poderá ser libertado em 2032, e já passou, pelo menos, três anos em regime de isolamento. Uma das idas para a solitária foi motivada pelo simples facto de os guardas prisionais terem encontrado o resto de um pastel de nata na sua cela, trazido por um visitante.

Assine a petição e apele às autoridades de Hong Kong para que libertem Owen de forma imediata e incondicional.

 

Ayachi Hammami – Tunísia (Imagem © Amnistia Internacional)Ayachi Hammami – Tunísia (Imagem © Amnistia Internacional)
Imagem © Amnistia Internacional

Ayachi Hammami: condenado a oito anos em poucos minutos

Ayachi Hammami é um advogado tunisino especializado em direitos humanos, marido, pai e avô que passou décadas a defender vítimas de injustiça e a independência judicial. Os amigos descrevem-no como uma “alma jovem” que adora astronomia, música clássica e longas caminhadas com o seu cão, Arya.

Em abril de 2025, na sequência de um julgamento fraudulento que durou apenas alguns minutos, Ayachi foi condenado a oito anos de prisão. Um tribunal de recurso reduziu a sua pena para cinco anos, em novembro de 2025. Foi detido nos dias seguintes e iniciou uma greve de fome de 45 dias para protestar contra a sua detenção arbitrária.

Assine a petição e exija a liberdade imediata e incondicional de Ayachi Hammami, detido exclusivamente pelo seu ativismo pacífico em prol dos direitos humanos e pelo seu trabalho jurídico.

 

Marwa Arafa – Egito (Imagem © Amnistia Internacional)Marwa Arafa – Egito (Imagem © Amnistia Internacional)
Imagem © Amnistia Internacional

Marwa Arafa: sem cuidados de saúde e em risco de perpétua

Marwa Arafa é uma ativista egípcia de direitos humanos de 33 anos, tradutora e mãe, detida arbitrariamente há mais de seis anos, apenas devido ao seu ativismo pacífico. Marwa dedicou a sua vida a apoiar as famílias de pessoas detidas por razões políticas, incluindo crianças.

Em abril de 2020, as forças de segurança egípcias invadiram a casa de uma amiga – onde Marwa se encontrava hospedada – e submeteram-na a um desaparecimento forçado durante duas semanas. Posteriormente, foi acusada de crimes infundados relacionados com o terrorismo. Enfrenta agora um julgamento injusto com base em acusações que podem implicar prisão perpétua.

A saúde de Marwa deteriorou-se gravemente na prisão, onde lhe tem sido negado acesso a cuidados de saúde adequados.

Assine a petição e exija a libertação imediata e incondicional de Marwa Arafa e a retirada de todas as acusações, uma vez que se encontra detida exclusivamente por ter exercido e defendido os direitos humanos.

 

Evento de escrita de cartas durante a reunião dos membros na Mongólia, em dezembro de 2025. (Foto © Amnistia Internacional Mongólia)Evento de escrita de cartas durante a reunião dos membros na Mongólia, em dezembro de 2025. (Foto © Amnistia Internacional Mongólia)
Foto © Amnistia Internacional Mongólia

Vitórias da Maratona de Cartas

Desde que a Maratona de Cartas começou, em 2001, foram realizadas mais de 50 milhões de ações de solidariedade.  Como resultado, foi possível que mais de 100 pessoas que estiveram em foco nas várias edições da Maratona de Cartas, vissem uma evolução positiva na sua situação.

Eis as histórias de algumas dessas pessoas, cujas vidas mudaram – e até foram salvas – graças ao apoio de milhões de pessoas em todo o mundo.

  • Germain Rukuki – Burundi

A 30 de junho de 2021, o defensor dos direitos humanos burundiano Germain Rukuki foi libertado da prisão após quatro anos de uma pena de 32. Tinha sido considerado culpado de várias acusações falsas relacionadas com o seu trabalho em prol dos direitos humanos. Foi preso antes de ter a oportunidade de pegar ao colo o seu filho mais novo, nascido apenas algumas semanas após a sua detenção, em julho de 2017.

  • Yves e Fred – República Democrática do Congo

Os jovens ativistas Yves Makwambala e Fred Bauma foram libertados no final de agosto de 2016 na República Democrática do Congo. Um número incrível de 170 000 pessoas tomou medidas a favor da dupla, no âmbito da Maratona de Cartas 2015. “Cada carta, cada visita, cada palavra fortaleceu-nos e reforçou a nossa determinação nesta longa, mas justa, luta pela liberdade e pela democracia”, disse Yves.

Em janeiro de 2026, o defensor dos direitos humanos Seán Binder e outras 23 pessoas ligadas a uma ONG de busca e salvamento foram ilibados de todas as acusações na Grécia. Após anos em julgamento, Seán já não enfrenta a possibilidade de uma pena de prisão de 20 anos por ajudar refugiados. Em 2019, Seán tornou-se um caso da Maratona de Cartas e centenas de milhares de pessoas em todo o mundo tomaram medidas para o apoiar. Oito anos depois de a Amnistia ter apelado, pela primeira vez, ao arquivamento das acusações, Seán foi finalmente absolvido.

  • Moses Akatugba – Nigéria

Moses Akatugba era um estudante de 16 anos quando foi preso, em 2005, pela polícia, no sul da Nigéria, sob suspeita de assalto à mão armada e furto de três telemóveis. Foi torturado durante os interrogatórios, espancado e pendurado de cabeça para baixo numa ventoinha de teto durante horas. Arrancaram-lhe as unhas com um alicate para o coagir a assinar uma “confissão” – a única base para a sua condenação à morte oito anos mais tarde.

Após 10 anos de detenção e 800 000 cartas de pessoas de todo o mundo através da Maratona de Cartas 2014, Moses foi indultado pelo governador do Estado do Delta do Níger, a 28 de maio de 2015.

Em 2009, a defensora dos direitos humanos Rita Mahato foi ameaçada de morte, violação e rapto por ajudar mulheres no Nepal que tinham sido vítimas de atos de violência. Era conselheira de saúde no Centro de Reabilitação de Mulheres (WOREC), uma ONG de referência no Nepal, mas a polícia não conseguiu proteger Rita nem investigar as ameaças. Depois de a Amnistia Internacional ter adotado o seu caso na Maratona de Cartas de 2009, escolas, universidades e outras instituições de todo o mundo começaram a enviar cartas, postais e outros materiais em seu apoio. A publicidade e os cartazes tornaram-se tão difundidos que a polícia e as autoridades locais começaram a ligar a Rita para lhe dar apoio, fazendo-a sentir-se menos sozinha.

  • Aleksandra (Sasha) Skochilenko – Rússia

A artista russa Aleksandra “Sasha” Skochilenko foi presa por protestar contra a invasão da Ucrânia pela Rússia. Em março de 2022, substituiu as etiquetas de preços num supermercado por etiquetas de papel que continham informações censuradas pelos meios de comunicação social estatais russos. Foi acusada de “divulgação de informações conscientemente falsas sobre as Forças Armadas russas” e condenada a sete anos de prisão, em dezembro de 2023.

Em 2024, graças, em parte, à pressão internacional da Maratona de Cartas 2022, Sasha foi finalmente libertada, no âmbito de uma grande troca de prisioneiros – que envolveu a Rússia e a Bielorrússia – que concordaram com uma troca com os EUA, a Alemanha, a Noruega, a Polónia e a Eslovénia.  Sasha vive agora no exílio na Alemanha.

  • Magai Matiop Ngong – Sudão do Sul

Magai Matiop Ngong era um estudante de 15 anos, no Sudão do Sul, quando foi condenado à morte, em 2017, por homicídio. Magai disse ao juiz que a morte tinha sido um acidente e que era apenas uma criança; apesar disso, Magai foi julgado por homicídio sem representação legal. Foram realizadas mais de 700 000 ações em prol de Magai durante a Maratona de Cartas 2019 e, em março de 2022, o Supremo Tribunal concordou que, dada a sua idade à data da condenação, deveria ser libertado.

 

Recursos:

Página da Maratona de Cartas 2026: https://www.amnistia.pt/maratona/

Curso online gratuito sobre a Maratona de Cartas: https://academia.amnistia.pt/login/index.php

Vídeo da Maratona de Cartas 2026: https://www.youtube.com/watch?v=5ZNtdWFUI2c

 

Perguntas Relacionadas
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O que é a Maratona de Cartas?

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A Maratona de Cartas é uma iniciativa global da Amnistia Internacional em que milhões de pessoas escrevem cartas para defender os direitos humanos, apoiando casos específicos de injustiça.

Quantos casos são destacados na Maratona de Cartas?

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Na Maratona de Cartas, são destacados três casos principais, nos quais os participantes são incentivados a intervir.

Qual é o objetivo principal da Maratona de Cartas?

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O objetivo principal é mobilizar pessoas para pressionar autoridades e promover mudanças em situações de violação dos direitos humanos, através da escrita de cartas.

Que tipo de participantes estão envolvidos na Maratona de Cartas?

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A iniciativa conta com milhões de participantes em todo o mundo, incluindo ativistas, voluntários e cidadãos preocupados com a justiça social.

Como é que a Maratona de Cartas contribui para a mudança social?

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Através da escrita massiva de cartas, a iniciativa visa chamar a atenção para casos de injustiça e exercer pressão sobre os responsáveis para que tomem medidas concretas.

⚠️ Este painel de questões relacionadas foi criado com IA mas revisto por um humano.

Veja a matéria completa aqui!

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