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Aos 2 anos, Clarisse esbanja simpatia e desenvoltura diante das câmeras. Ela canta, dança, brinca, acompanha a mãe durante as compras e transforma até a hora de tomar os medicamentos em um momento de alegria. Moradora de Uberlândia, a 535km de Belo Horizonte, no Triângulo Mineiro, a menina enfrenta o tratamento de duas doenças raras com a ajuda da criatividade e do carinho da mãe, Daniela.
A rotina da criança é compartilhada nas redes sociais, onde o perfil administrado pela mãe reúne quase 80 mil seguidores. Entre os vídeos que mais repercutem estão aqueles em que Clarisse aparece tomando três seringas de medicamentos sem fazer pirraça. Para deixar o momento mais leve e evitar que ele se torne traumático, Daniela criou uma música especial.
“Tomar remédio não é fácil, nem eu gosto. Eu falei: ‘Preciso fazer alguma coisa para aquele momento do remédio não ser traumático para ela’”, contou a mãe. Ao som da canção, Clarisse toma as doses sem reclamar e ainda comemora com Daniela no final.
Apesar da alegria demonstrada nos vídeos, a menina já enfrentou períodos difíceis. Os primeiros sinais de que havia algo errado apareceram quando ela completou 1 ano. Daniela percebeu que o canto dos olhos da filha estava amarelado. Com o passar dos dias, a coloração se espalhou pelo corpo da criança.
“Como ela mama no peito, eu estava sempre olhando para ela e comecei a ver o cantinho do olho bem amarelado. Foram passando os dias e ela começou a ficar com o corpo mais amarelo. Ela ficou muito amarela, e a gente procurou o médico”, relatou.
Clarisse passou por uma série de exames, retiradas diárias de sangue e uma biópsia no fígado. Após a investigação médica, ela foi diagnosticada com anemia hemolítica autoimune, doença em que o sistema imunológico ataca e destrói os próprios glóbulos vermelhos. Entre os principais sinais estão cansaço intenso, palidez e coloração amarelada da pele.
O tratamento começou imediatamente e incluiu várias medicações, internações e idas frequentes ao hospital. Posteriormente, os médicos descobriram que Clarisse também tinha hepatite de células gigantes, uma doença rara e grave que afeta o fígado de bebês e crianças pequenas.
Segundo Daniela, sem o acompanhamento adequado, a doença pode comprometer gravemente o órgão. A possibilidade de falência do fígado deixou a família desesperada.
“Quando ela falou isso, a gente entrou em desespero. ‘Meu Deus, como é que a gente vai tratar?’”, relembrou. Clarisse precisou receber uma medicação semelhante à utilizada em tratamentos quimioterápicos. Foram quatro doses, aplicadas uma vez por semana.
De acordo com a mãe, o medicamento ajudou a controlar a doença, que está “adormecida”. Clarisse continua em tratamento e toma, entre outros remédios, corticoide e três medicamentos para controlar a pressão. A menina já reconhece algumas das medicações e participa da rotina criada pela família.
“Ela é bem ativa, brinca muito e corre. Acorda, toma os remédios e já sabe. A gente canta a nossa música do remédio e ela toma sem nenhum problema”, afirmou Daniela.
A mãe também destaca a importância da amamentação durante o tratamento. Como o problema no fígado prejudicava a alimentação, Clarisse tinha dificuldades para comer e dependia com frequência do leite materno.
“Em todo esse tratamento, estar amamentando foi o que mais salvou ela. Como o problema era no fígado, ela não comia direito. Eu achava que era uma dificuldade na introdução alimentar e fiquei frustrada, mas ela não conseguia comer. Então, mamava o tempo inteiro”, explicou.
As doenças não têm cura, mas podem ser controladas com tratamento e acompanhamento médico. Enquanto enfrenta os desafios, Daniela se apoia na fé, no bom humor e na criatividade para tornar a rotina da filha menos dolorosa. Nas redes sociais, a dupla recebe milhares de mensagens de carinho e esperança.
Veja o vídeo:
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