
Durante entrevista ao Dedin de Prosa, podcast do Portal Acre exibido nesta terça-feira, 6, o deputado federal eleito Júnior Betão (PL) se emocionou — e emocionou quem assistia ao programa — ao falar do filho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Atualmente com 8 anos, João, filho de Júnior, nasceu prematuro e precisou ficar na UTI. Durante a conversa com os apresentadores Leônidas Badaró e Fredson Camargo, o pai relembrou a situação delicada que a família enfrentou após o nascimento de João.
“O João é um milagre. Ele nasceu prematuro, ficou na UTI. Eu fui para aquela capela lá do Santa Juliana, foi muita oração e o meu filho, graças a Deus, hoje está vivo”, disse.
Betão contou que, aos dois anos de idade, João foi diagnosticado com autismo e também com apraxia da fala, um distúrbio neurológico motor que dificulta o planejamento e a programação dos movimentos da boca, língua, lábios e mandíbula necessários para a fala: “O João nasceu e, com apenas dois anos, foi diagnosticado com autismo e apraxia da fala. Ele era não verbal e não conseguia falar; eu me agarrei muito com Deus”, contou.
Ao relembrar o momento, Júnior Betão interrompeu a fala emocionado: “Eu falei para Deus: ‘Meu filho vai falar. Nós vamos trazer o que ele tanto precisa, que é pelo menos se comunicar’. Fizemos esse trabalho, pedi muito, muito, muito a Deus”, ressaltou.
Júnior Betão afirmou que atualmente o filho está bem e que o diagnóstico o motivou a se envolver em pautas relacionadas ao autismo: “Hoje eu brinco com as pessoas: ‘Fala até o que não deve’. Ele está muito bem com relação a isso. Isso me motivou muito a defender essa bandeira”, afirmou.
Betão, que assume o mandato a partir de janeiro do ano que vem, afirmou que a causa das famílias atípicas será uma de suas principais bandeiras na Câmara Federal:
“Nesta caminhada, tenho encontrado famílias que não têm condições sequer de conseguir um laudo para os seus filhos. Não estou falando de algo que conheço de longe, mas de algo que tenho dentro da minha casa. Meu filho é de uma família que tem condições de proporcionar as terapias, mas e quem não tem? Quem não consegue atendimento para o filho? Inclusive, o atendimento precisa ser também para as famílias”, disse.
Júnior voltou a chorar no programa ao relatar a história de um pai de uma criança autista que pensou em tirar a própria vida:
“Logo após uma reunião, uma noite, eu estava saindo e um pai começou a chorar, pegou no meu braço e relatou que foi para a Terceira Ponte esperar uma carreta para se jogar na frente com o filho. Vocês imaginam o que é isso? Nós temos mais de 12 mil crianças autistas, não temos profissionais. Nós vamos fazer mutirões e, se precisar trazer médicos de fora, vamos trazer. Eu não sei ainda como vou fazer, não tenho isso pronto, mas vamos fazer e acabar com esse descaso”, concluiu.
