Em entrevista divulgada nesta quinta-feira (10/09), a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, afirmou que os militares de Israel mataram mais de 21 crianças na Faixa de Gaza em pouco mais de mil dias, desde outubro de 2023, quando iniciou suas operações militares no território palestino.
Segundo Albanese, em entrevista ao canal RT, o governo israelense está promovendo um genocídio em Gaza, com a cumplicidade de governos e empresas privadas em violações aos direitos humanos da população local.
“Em aproximadamente mil dias, foram assassinadas mais de 21 mil crianças só em Gaza. Por isso houve uma necessidade de deixar de falar de Gaza, e claramente, grande parte da imprensa ocidental, que lamentavelmente cria zonas de influência, inclusive fora do Ocidente, é conivente com isso”, argumentou a diplomata italiana.
Em relação ao termo genocídio, usado em sua resposta, a jurista explicou que ele se baseia “na observação dos fatos e na aplicação do direito internacional a eles”.
Albanese lembrou que, em seu relatório publicado em março de 2024, estão identificadas ao menos três situações que podem ser categorizados como genocídio e que foram cometidos por soldados israelenses em Gaza: o assassinato de 30 mil pessoas em cinco meses, os casos de tortura e a destruição de infraestrutura vital para a população local.
“Os palestinos foram reduzidos a uma massa amorfa. Não importa quem seja o alvo: crianças, mulheres, idosos, deficientes, pacientes, recém-nascidos em incubadoras. Eles são mortos por serem palestinos”, denunciou a relatora especial da ONU.
Na mesma entrevista, a jurista falou sobre a situação na Cisjordânia, onde Israel matou cerca de 700 pessoas entre outubro de 2023 e outubro de 2024, “precisamente onde o Hamas não está presente, em período onde não se registra resistência armada”.

