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Especial de O TEMPO sobre escravidão é finalista de prêmio

O especial “Passado que Condena”, publicado pelo jornal O TEMPO, é um dos finalistas do 12º Prêmio Anamatra de Direitos Humanos, promovido pela Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). O trabalho concorre na categoria Imprensa, na subcategoria Jornalismo Escrito. O resultado será divulgado até 30 de setembro, com a cerimônia de premiação marcada para 28 de outubro, em Brasília (DF).

Produzido pelos jornalistas Tatiana Lagôa, Juliana Siqueira e José Vítor Camilo, com ilustrações de Acyr Galvão e projeto gráfico de Rose Braga, o especial foi selecionado em uma edição recorde da premiação. Ao todo, 198 trabalhos foram inscritos no prêmio, que reconhece iniciativas voltadas à promoção e à defesa dos direitos humanos no ambiente de trabalho.

Cada categoria e subcategoria conta com três finalistas. A escolha dos vencedores é feita por um júri formado por três profissionais indicados pela Anamatra, com experiência nas áreas de Jornalismo e Direitos Humanos.

+ Leia o especial Passado que Condena

A jornalista Tatiana Lagõa, editora de Cidades em O TEMPO, destacou a entrega de toda a equipe no material. “É uma alegria imensa a indicação deste caderno para um prêmio tão relevante. Ficamos imersos em conteúdos históricos e encantados pelo ineditismo de um acervo guardado há mais de cem anos. Buscamos diariamente furos jornalísticos e a sensação de encontrá-los é sempre muito boa. Mas um furo centenário, com histórias invisibilizadas dentro do contexto histórico nacional é algo que se alcança com muita sorte em raros momentos”, disse. 

Ela analisa que o conteúdo uniu o “ineditismo das ações analisadas, com um projeto gráfico pensado para ele e ilustrações que capturaram a essência das histórias narradas”. “Eu só posso dizer que estou acima de tudo muito orgulhosa dessa equipe que abraçou com tanto afinco essa pauta e grata por estar em uma empresa que valoriza o jornalismo profissional e de qualidade. Temos muito a agradecer também aos paleógrafos profissionais que transcreveram os manuscritos em juridiquês para viabilizar a exatidão da reportagem. Que venham mais histórias que a História não contou”, destaca.

Especial resgata histórias de resistência

Publicado por O TEMPO, “Passado que Condena” é resultado de uma investigação sobre documentos históricos que ajudam a revelar como pessoas escravizadas recorreram à Justiça para lutar pela própria liberdade durante o Brasil Império.

A reportagem é a primeira a detalhar a nova base de dados digitalizada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) por meio do projeto “Guia de Fontes para a História Negra”. O acervo reúne processos judiciais do período imperial que permaneceram guardados por mais de um século.

Para compreender os documentos, escritos à mão e com linguagem jurídica própria da época, os jornalistas trabalharam durante 15 dias com o auxílio de seis historiadores especializados em paleografia, área dedicada ao estudo de documentos antigos.

O especial mostra que homens e mulheres escravizados não foram apenas vítimas passivas do sistema escravista. Eles também encontraram formas de resistência e utilizaram mecanismos legais disponíveis naquele período para buscar a liberdade e defender seus direitos.

Entre os personagens está Jerônimo, que conseguiu comprovar na Justiça que sua venda era ilegal com base na lei de 1831, que proibia o tráfico de pessoas escravizadas. A reportagem também conta a história de Badina, de 17 anos, que recorreu à Justiça para tentar garantir o direito de dormir fora da casa de um herdeiro que, segundo o processo, ameaçava estuprá-la.

Outro personagem é Antônio, um homem com mais de 70 anos que utilizou dispositivos da Lei do Ventre Livre para reivindicar o direito de usar os bens que havia acumulado para comprar a própria alforria.

A reportagem também mostra como estruturas de exploração ainda se manifestam em situações de trabalho análogo à escravidão, problema que continua atingindo trabalhadores em Minas Gerais, com predominância de vítimas pretas, pardas e de baixa escolaridade.

Veja a matéria completa aqui!

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