A 43ª edição do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo foi lançada na manhã desta quinta-feira (6/8), durante a Cidade da Advocacia, que está em seu terceiro dia no Cais Embarcadero, em Porto Alegre. O tema do Prêmio neste ano toca em um assunto que tem alarmado a sociedade, os feminicídios.
Presidente da OAB/RS destaca a explosão de casos
Com grande repercussão na imprensa, esse tipo de crime ainda está sendo estudado e, por isso, matérias jornalísticas que apontem os diferentes aspectos envolvidos na violência contra a mulher deverão ter destaque, opinou o presidente da OAB/RS, Leonardo Lamachia, durante a cerimônia. “Lá em fevereiro de 2025, na nossa posse, em um dos trechos do discurso eu falei que a violência contra a mulher era uma chaga da Justiça. Quando eu fiz aquela referência, eu não tinha a menor noção de que nós teríamos uma explosão dos casos. Agora, é revoltante o número de feminicídios que temos”, lamentou.
Para Lamachia, é preciso haver uma ação conjunta de toda a sociedade para reduzir a violência contra a mulher. “O município, a União, a polícia e a Justiça têm grande responsabilidade nesse tema. Eles precisam aportar recursos. Por exemplo, precisamos ter mais varas, hoje são apenas 15 em 165 comarcas. Precisamos ter mais delegacias, precisamos de mais estrutura estatal, mas não é só isso que vai resolver”, reforçou Lamachia, citando o Prêmio como um componente dessa resposta da sociedade.
Participaram do evento de lançamento os coordenadores da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto da OAB/RS, Rodrigo Puggina e Roque Reckziegel; a advogada criminalista, mestre em Ciências Criminais, conselheira seccional e membro da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto da OAB/RS, Fabiane Cavalcanti; a vice-presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do RS (CAARS), Paula Grill; o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), Jair Krischke; além de advogados e conselheiros seccionais da Ordem gaúcha. As palestras couberam à advogada e conselheira de notório saber do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) Alice Bianchini, e à doutora em Direito, professora e pesquisadora Joice Graciele Nielsson.
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Palestras abordam conceitos e pesquisas sobre a violência
Alice explicou questões conceituais sobre o tema. Segundo ela, os homens podem ser importantes aliados, o que reforça a luta pela igualdade porque é preciso que eles as defendam perante os seus pares.
Joice levou alguns resultados de sua pesquisa baseada em 152 entrevistas com homens presos por violência contra mulheres. Conforme a pesquisadora, as escutas sociológicas revelaram que os condenados minimizam ou deslocam a responsabilidade. “Noventa por cento deles operavam um mecanismo de transferência de culpa para as mulheres e mais de 60% já tinham um histórico de violência”, afirmou Joice.
A pesquisadora lembrou que a denúncia é essencial, mas que o feminicídio não acaba no boletim de ocorrência. “Muitas vezes elas deixam os próprios pais que estavam cuidando, e eles têm de passar a cuidar dos netos”, detalhou, sobre uma situação que se repete em muitos casos e é catastrófica para as famílias.
Inscrições para o Prêmio começam em 1º de outubro
O prêmio, que existe desde 1984, é realizado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), em parceria com a seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), a CAARS, a Regional Latino Americana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Rel UITA) e a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (Arfoc-RS).
As inscrições vão de 1º a 25 de outubro de 2026, e a premiação, com transmissão online, será no dia 10 de dezembro, às 19h. As categorias são: Impresso, Fotografia, Áudio (Rádio e Podcast), Televisão, Jornalismo Online, Crônica, Documentário, Grande Reportagem (livro), Multimídia, Acadêmico e Comunicação Pública.
Mais informações podem ser obtidas em direitoshumanosbr.org.br e mjdhbr@gmail.com.
