Um método inovador para medir a pobreza aplicado pela Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DeDH) da Unicamp foi um dos principais destaques de um evento realizado na sede da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) para discutir a mensuração da pobreza infantil. O encontro aconteceu em Dar es Salaam, na Tanzânia, na segunda quinzena de agosto.

Ao invés de definir a pobreza apenas por critérios técnicos ou linhas de renda fixadas por economistas e governos, o método faz a chamada mensuração multidimensional – em que é feita uma consulta à população, via pesquisas e grupos focais – para identificar quais bens, serviços e condições de vida são considerados “necessários” e dos quais “ninguém deveria ser privado por falta de dinheiro”. Desta forma, a pobreza é compreendida como a incapacidade de atingir o padrão de vida mínimo aceito consensualmente pela própria comunidade.
A DeDH da Unicamp, em conjunto com centros de pesquisa e parceiros internacionais e nacionais, como a Universidade de Cardiff, com o professor Shailen Nandy, e a Faculdade de Educação da Unicamp, com a professora Ana Elisa Spaolonzi Queiroz Assis, tem sido um polo central de discussão e aplicação dessa metodologia no Brasil.
A diretora da DeDH, Elisdete Maria Santos de Jesus, conta que o convite para integrar o fórum partiu da Cardiff University, parceira estratégica da Unicamp, e da Unicef/Tanzânia. Para Jesus, trata-se de um reconhecimento do trabalho pioneiro da universidade brasileira na promoção e na proteção dos direitos humanos.

Embaixador
O encontro contou também com a presença do embaixador do Brasil na Tanzânia, Gustavo Martins Nogueira. De acordo com a diretora, o diplomata solicitou uma reunião com os representantes da Unicamp para aprofundar o conhecimento sobre as atividades da DeDH e discutir como a experiência da universidade pode servir de parâmetro para órgãos públicos e políticas de assistência na África Oriental.
A equipe da Unicamp – que contou também com os pesquisadores Luis Renato Vedovato e Carla Cristina Barbosa Pereira – apresentou, para representantes da Tanzânia e de Uganda, as ações da Universidade no campo dos Direitos Humanos. Foram mostrados detalhes da pesquisa sobre medição das vulnerabilidades e privações, que envolve aspectos da pobreza multidimensional infantil, expandindo para a proteção de minorias realizada por meio da DeDH, com o apoio das comissões assessoras.
“Com essa missão, a DeDH não apenas cumpre seu papel de orientar a comunidade em direitos humanos, mas também estabelecer caminhos para futuras colaborações em pesquisas voltadas à justiça social e equidade”, disse a diretora. “A nossa expectativa é que as metodologias desenvolvidas na Unicamp continuem a influenciar positivamente atores relevantes no continente africano, fortalecendo a conexão entre o rigor acadêmico e o impacto social direto”, finalizou.
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