A exposição de um menino autista de 10 anos e de pelo menos mais três colegas por estarem sem o uniforme completo na Escola Básica Mansueto Trés, no bairro Bambuzal, em Itajaí, provocou a revolta da mãe do garoto com o tratamento dado aos estudantes. A situação também terminou em uma reação agressiva do diretor da escola, que usou termos chulos ao responder aos questionamentos.
O caso repercutiu nas redes sociais e revoltou a enfermeira Seilane Polastro, mãe do estudante. Ela denunciou a situação do dia 9 de setembro, envolvendo o uso do uniforme do filho. Ao reclamar do …
O caso repercutiu nas redes sociais e revoltou a enfermeira Seilane Polastro, mãe do estudante. Ela denunciou a situação do dia 9 de setembro, envolvendo o uso do uniforme do filho. Ao reclamar do tratamento dado ao menino, ouviu do diretor que deveria “se foder”, além de outros termos grosseiros.
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De acordo com Seilane, ela mandou o menino para a escola vestindo calça e camiseta de manga comprida, ambas do uniforme da rede municipal de Itajaí. A criança também usava uma jaqueta quente que não fazia parte do kit escolar por causa do frio. A mãe destacou que o agasalho fornecido pela Prefeitura de Itajaí é fino e não era suficiente.
Pouco depois do recreio, segundo o relato do menino e de outros alunos, o diretor entrou na sala, retirou as crianças que considerava estarem sem o uniforme completo e deu início a uma “punição”. Os estudantes foram levados para um palco no pátio durante o intervalo e, enquanto os outros brincavam, permaneceram sentados e expostos no local.
A enfermeira afirma que uma pergunta não sai de sua cabeça: por que uma criança de 10 anos foi punida por uma decisão tomada pelos pais? “Meu menino não compra o próprio uniforme, não escolhe quais roupas estão disponíveis em casa e estava vestindo as peças municipais — a única diferença era a jaqueta mais quente”, lamenta.
Na tarde do dia 9, a mãe foi pessoalmente à escola conversar com o diretor. “Expliquei que, se existiam problemas com a roupa, a responsabilidade era minha, como mãe”.
O diretor respondeu que poderia expor a criança e ainda ofendeu a mãe, conforme gravação repassada ao DIARINHO. Ele afirmou que a enfermeira deveria “cumprir seu dever materno”, “ser mais responsável” e que estaria dando um mau exemplo ao aluno. Ele também gritou com ela e usou expressões como “mãe horrorosa” e “péssima”, além de dizer “foda-se”. Seilane afirma que os ataques pessoais foram testemunhados por servidores, até que o diretor ordenou que ela saísse da sala.
Medo de voltar à escola
“Depois de tudo que viveu naquele dia, meu filho ficou abalado e vivemos um pesadelo. Ele está com medo de voltar à escola e eu não considero a situação como normal”, acrescentou a enfermeira. Ela denunciou o caso à Associação de Amigos dos Autistas de Itajaí (AMA) e registrou boletim de ocorrência.
“Não estou pedindo privilégios para o meu filho; eu quero investigação, responsabilidade e proteção. Disciplina não significa humilhação”, pontuou. “Eu cobro uma posição oficial do município sobre o tipo de ambiente escolar que queremos oferecer às crianças de Itajaí”, finalizou.
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O DIARINHO procurou a direção da escola nesta segunda-feira e recebeu a informação de que o diretor não estava na unidade de ensino e que não havia autorização para repassar informações sobre o caso. A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Itajaí, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.
