Cascavel passou a contar com um protocolo específico para orientar o atendimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições que exigem acompanhamento especializado. A medida beneficia uma rede que hoje atende mais de 1.500 estudantes com necessidades específicas e, até então, não possuía uma padronização para esse tipo de situação.
O Protocolo de Prevenção e Manejo de Crises Comportamentais estabelece orientações para a prevenção, identificação de sinais, atendimento durante crises e procedimentos após os episódios, buscando garantir mais segurança para alunos, professores e demais profissionais da educação.
Segundo a Gerência da Divisão de Educação Especial e Inclusão Social, antes da criação da instrução normativa não existia um documento que regulamentasse os encaminhamentos nesses casos.
“Não havia nenhuma instrução que regulamentasse formas de encaminhamento. A instrução normativa vem exatamente para orientar e padronizar o acompanhamento das nossas crianças com autismo ou alguma outra patologia associada“, explicou o gerente da Divisão de Educação Especial e Inclusão Social, Jeonaldo de Lima Texeira
O documento trata de situações que envolvem comportamentos de risco, crises comportamentais e desregulação emocional com potencial de agressividade, sempre com foco na preservação da integridade física e emocional dos estudantes, profissionais e do ambiente escolar.
Além de orientar como agir durante uma crise, o protocolo prioriza a prevenção. A proposta é identificar os sinais que antecedem esses momentos para evitar que a situação se agrave.
“Toda a nossa rede foi preparada para observar os sinais que antecedem as crises e agir antes que elas aconteçam. A instrução normativa orienta famílias, escolas e instituições sobre como realizar os devidos encaminhamentos“, destacou Jeonaldo.
O protocolo será aplicado pelos próprios profissionais da rede municipal, que já participam de formações específicas. Nos últimos dois meses foram realizados cursos e palestras, e uma nova etapa de capacitação está prevista para setembro, envolvendo gestores, coordenadores e professores.
No Centro de Transtorno do Espectro Autista (CTEA), onde 87 estudantes recebem atendimento, a prevenção já faz parte da rotina. A equipe trabalha para identificar mudanças de comportamento antes que uma crise aconteça.
“Nós trabalhamos muito com rotina e previsibilidade. Sempre buscamos prevenir para que o aluno não chegue à crise. Quando percebemos que ele está escalonando, diminuímos os estímulos para evitar esse momento“, afirmou a diretora do CTEA, Maricley Feo
Atualmente, mais de 1.500 estudantes autistas ou com outras necessidades de atendimento específico fazem parte da Rede Municipal de Ensino de Cascavel. A expectativa da Secretaria de Educação é que a nova instrução normativa fortaleça as estratégias pedagógicas e ofereça mais segurança para toda a comunidade escolar.
“São detalhes que fazem a diferença na percepção do que está acontecendo e ajudam a identificar os sinais de que o aluno pode entrar em crise“, ressaltou a diretora do CTEA.
Reportagem Patricia Cabral | EPC (Esporte Política e Cotidiano)
