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ONU alerta para recorde de mortes de civis na Ucrânia e risco de crise energética antes do inverno

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A intensificação dos ataques russos provocou 328 mortes e 2.105 feridos entre civis na Ucrânia em setembro de 2026, segundo a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia. O total de vítimas representa um aumento de 85% em relação a setembro de 2025 e ocorre em meio à ampliação dos ataques contra áreas residenciais e infraestruturas energéticas, agravando os riscos para a população com a aproximação do inverno.

A atualização mensal da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que mortes e ferimentos foram registrados em 22 regiões ucranianas. A capital, Kyiv, apresentou um número elevado de vítimas, assim como comunidades das regiões de Kherson, Kharkiv, Sumy e Zaporizhzhia, atingidas por ofensivas russas.

De acordo com o relatório, as mortes de civis em Kyiv foram registradas em 22 dos 30 dias de setembro, frequência superior à observada em qualquer outro mês desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Os dados evidenciam a continuidade dos riscos enfrentados pela população em áreas urbanas e próximas das zonas de combate.

Ataques russos ampliam vítimas civis em diferentes regiões

A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU informou que os números de setembro refletem a intensificação das operações militares e seus efeitos sobre a população civil. Além da capital, comunidades de Kherson, Kharkiv, Sumy e Zaporizhzhia estiveram entre as áreas afetadas pelos ataques.

Entre as vítimas contabilizadas, 18 civis morreram e 44 ficaram feridos em territórios ucranianos ocupados pela Rússia. A missão ressalvou que o balanço confirmado pode estar abaixo do número real, devido às dificuldades de verificação em áreas de acesso limitado e de confrontos intensos.

A responsável pela missão, Danielle Bell, também alertou para a gravidade das ofensivas registradas nas duas primeiras semanas de outubro. Segundo ela, esse período esteve entre os mais letais para civis dos últimos anos, com incidentes que provocaram numerosas vítimas em localidades como Kharkiv, Zaporizhzhia, Kramatorsk e Kyiv.

Infraestrutura energética sofre novos ataques

Os ataques à infraestrutura energética constituem outro fator de preocupação para as autoridades ucranianas e as organizações humanitárias. Nos dias 13 e 14 de outubro de 2026, forças russas atingiram três centrais elétricas na região da capital, segundo as informações divulgadas no relatório.

De acordo com as autoridades ucranianas, aproximadamente 600 mil pessoas ficaram temporariamente sem eletricidade em consequência dos ataques. A interrupção do fornecimento afeta serviços essenciais e aumenta as dificuldades para famílias que precisam preparar suas residências para as baixas temperaturas.

O documento também registra ataques realizados pelas Forças Armadas ucranianas contra infraestruturas de eletricidade e aquecimento em territórios ocupados e na Rússia. Segundo o relato apresentado, foram contabilizados cerca de 80 ataques com sistemas não tripulados. O registro evidencia que instalações energéticas de diferentes áreas também integram a dinâmica militar do conflito.

Inverno aumenta riscos para famílias sem aquecimento adequado

Com a aproximação do inverno, a continuidade dos ataques à rede energética pode ampliar as dificuldades enfrentadas por milhões de pessoas. Danielle Bell advertiu que os danos às instalações de energia tendem a agravar o sofrimento da população civil, especialmente entre famílias que já enfrentam perdas materiais e restrições de acesso a serviços básicos.

A deterioração das condições de vida inclui danos às habitações, perda de rendimentos e redução da disponibilidade de serviços essenciais. Esses fatores dificultam a permanência das famílias em suas comunidades e aumentam a necessidade de assistência humanitária, sobretudo em localidades próximas à linha da frente.

O acesso ao aquecimento é uma das principais preocupações identificadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). Segundo estimativas da entidade, apenas 32% das famílias ucranianas afirmam conseguir aquecer adequadamente suas casas. Nas áreas próximas à linha da frente, a proporção cai para 25%, indicando maior vulnerabilidade entre os moradores dessas regiões.

Ucrânia mantém milhões de pessoas deslocadas internamente

A guerra continua provocando deslocamentos populacionais e dificultando o retorno seguro às comunidades de origem. A OIM estima que cerca de 3,6 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente na Ucrânia, enquanto aproximadamente 3,8 milhões retornaram aos locais onde viviam após terem sido deslocadas desde fevereiro de 2022.

O retorno, entretanto, não significa necessariamente que as condições anteriores tenham sido restabelecidas. Danos às residências, interrupções no fornecimento de energia e aquecimento, perda de renda e dificuldades de acesso a serviços essenciais podem comprometer a segurança e a estabilidade das famílias.

A situação é particularmente preocupante para pessoas que vivem em áreas próximas aos combates ou em localidades com infraestrutura danificada. Nessas regiões, a combinação entre insegurança, dificuldades econômicas e falta de aquecimento pode levar famílias a buscar novos locais de abrigo.

OIM pede reforço da assistência antes da chegada do frio

O diretor regional da Organização Internacional para as Migrações, Arthur Erken, alertou que o período disponível para ampliar a assistência antes do inverno está diminuindo. Segundo ele, é necessário disponibilizar apoio adicional para reduzir os riscos enfrentados pelas famílias e evitar que a deterioração das condições de vida provoque novos deslocamentos.

A assistência humanitária envolve necessidades como abrigo, reparação de moradias, acesso à energia e condições adequadas de aquecimento. A urgência aumenta diante da possibilidade de novos ataques às infraestruturas críticas durante os meses de temperaturas mais baixas.

Os dados apresentados pela ONU e pela OIM apontam para uma crise que combina elevado número de vítimas civis, danos à infraestrutura energética e deslocamento de milhões de pessoas. A capacidade de proteger a população depende, entre outros fatores, da redução dos riscos associados aos ataques, da manutenção dos serviços essenciais e da ampliação da assistência antes do agravamento das condições climáticas.

*Com informações da ONU News.

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