InícioBrasilMigrantes na África do Sul: “Não somos estrangeiros em África”

Migrantes na África do Sul: “Não somos estrangeiros em África”

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As comunidades católicas da região da Conferência dos Bispos Católicos da África Austral (SACBC) assinalaram o 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, com celebrações que reuniram migrantes, refugiados e cidadãos locais, num contexto de crescente tensão em torno dos migrantes sem documentos na África do Sul.

Por Sheila Pires, em Joanesburgo

Na Arquidiocese de Joanesburgo, a celebração foi realizada no salão da Catedral de Cristo Rei, em vez de decorrer nas diferentes paróquias, como habitualmente, devido a preocupações de segurança.

Celebração da Missa para comemorar o 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Celebração da Missa para comemorar o 112.º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Para a Irmã Marizete Garbin, responsável pelo Departamento de Pastoral dos Migrantes e Refugiados da Arquidiocese de Joanesburgo desde 2019, o encontro foi uma oportunidade para diferentes comunidades partilharem as suas experiências e reflectirem sobre como continuar a caminhar juntas.

“Estamos a caminhar juntos”

“É importante que os migrantes reflictam que não estão sozinhos nesta sociedade, que estamos a caminhar e a construir caminhos juntos”, afirmou a missionária Scalabriniana. “Isso é muito importante, porque nos apoiamos uns aos outros.”

A celebração aconteceu depois de meses marcados por protestos contra migrantes sem documentos e por episódios de violência em várias zonas da África do Sul.

Celebração depois de meses marcados por viole4ncia e protestos contra migrantes ...

Celebração depois de meses marcados por viole4ncia e protestos contra migrantes …

“Não foi nada fácil”

Cremilda Tshimanga, moçambicana que vive há muitos anos na África do Sul, recordou as dificuldades enfrentadas pelas comunidades migrantes.

“Não tem sido fácil. Temos tido muitas dificuldades e muitas situações que fazem com que não seja fácil”, disse à Vatican News, acrescentando que, apesar das dificuldades, procura viver “um dia de cada vez”, confiando na graça de Deus.

Ao recordar os protestos, Cremilda disse que a violência não atingiu apenas pessoas sem documentação.

“Perdemos irmãos e irmãs, mesmo com documentos. Essa é a pior parte”, afirmou. “Pessoas com documentos também foram mortas.”

“Estamos no nosso continente”

Agostinho Pedro José, angolano que vive na África do Sul há cerca de 26 a 27 anos, relatou igualmente situações de violência contra estrangeiros, incluindo ataques, saques e vandalização de estabelecimentos e edifícios.

“Muitos dos nossos irmãos tiveram que regressar a casa à força devido ao que estava a acontecer, devido à violência”, afirmou.

Para o migrante angolano, a experiência vivida levanta também uma questão mais profunda sobre a identidade e a pertença dos povos africanos.

“Nós, africanos, não podemos aceitar que somos estrangeiros. Sendo africanos, estamos no nosso continente e estamos em casa”, disse.

Uma Igreja que acompanhar, acolhe e caminha com os migrantes

Uma Igreja que acompanhar, acolhe e caminha com os migrantes

Uma Igreja que acompanha

A celebração do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado recordou, assim, não apenas as dificuldades enfrentadas pelas comunidades migrantes, mas também a missão da Igreja de acompanhar, acolher e criar espaços onde migrantes, refugiados e comunidades locais possam encontrar-se e caminhar juntos.

Num contexto marcado por divisões e insegurança, a mensagem repetida durante a celebração foi de que migrantes e refugiados não devem enfrentar sozinhos os desafios da sua vida num país estrangeiro.

“Estamos a caminhar juntos”, recordou a Irmã Marizete.

Oiça aqui as entrevistas com Cremilda e Agostinho, e partilhe

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