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Candidatos autistas crescem cinco vezes nas eleições de 2026

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O número de pessoas que se declararam autistas e registraram candidatura para as eleições gerais de 2026 saltou de 13 para 70 na comparação com pleito de 2022, um avanço superior a cinco vezes de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O movimento acontece em um contexto político de diminuição do total de candidaturas, que recuou de 29.262 para 20.829 registros entre as duas eleições, com a ressalva de que os números ainda podem ser atualizados.

Candidaturas autistas em números

Dos 70 pedidos de registro, 39 são para deputado estadual, 22 para deputado federal, cinco para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, três para vice-governador e um para primeiro suplente. O maior volume, portanto, está concentrado nas disputas legislativas estaduais e federal, que juntas somam 61 postulações.

Essas candidaturas integram um contingente de 524 pedidos de registro feitos por pessoas com algum tipo de deficiência. No detalhamento, 208 declaram deficiência física, 112 visual, 59 auditiva e 145 em outras categorias, que incluem o autismo.

Eleitorado com deficiência cresce 42% em quatro anos

Os candidatos com deficiência terão pela frente um eleitorado mais amplo do que no pleito passado. O TSE aponta que, em 2026, 1,97 milhão de eleitores declaram ter algum tipo de deficiência, contra 1,38 milhão em 2022 – uma alta de 42%. No total, cerca de 158,74 milhões de brasileiros estão aptos a votar no dia 4 de outubro.

A expansão desse eleitorado coincide com o aumento das candidaturas de pessoas com deficiência, o que coloca em evidência a necessidade de políticas públicas e de acessibilidade no processo eleitoral.

Autismo: condição e níveis de suporte

O Transtorno do Espectro Autista é definido pelo Ministério da Saúde como uma condição do desenvolvimento cerebral que pode impactar a comunicação, a interação social e o comportamento. As manifestações são variadas, podendo ir de casos leves até quadros que exigem acompanhamento intenso.

De acordo com o DSM-5, o TEA é classificado em níveis de suporte baseados na autonomia da pessoa. No nível 1, com o apoio adequado, é possível manter uma vida produtiva, incluindo estudo, trabalho e participação cívica, como a disputa de cargos eletivos.

Visibilidade e diagnósticos impulsionam registros

Para a presidente da Associação Vozes Atípicas (AVA), Simone Alli Chair, o crescimento dos registros é resultado de um processo de maior visibilidade do autismo na sociedade. A terapeuta, que também é mãe de duas meninas autistas, acompanha há 30 anos a luta por direitos das pessoas com deficiência.

Ela atribui parte do movimento à evolução do diagnóstico, que passou a identificar casos antes subnotificados. Segundo Simone, não se trata necessariamente de um aumento na prevalência do transtorno, mas sim de um reconhecimento maior, o que impulsiona mais pessoas a se enxergarem como capazes de ocupar espaços de poder e a se candidatar.

Além disso, com o autismo em evidência, aumenta também o interesse de políticos profissionais em se aproximar dessa comunidade, o que contribui para a ampliação das candidaturas e o fortalecimento do debate sobre inclusão nas eleições.

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