
O trabalho de Maria Izabel Corrêa Guiraud vai ser a base de uma instalação sobre a espera por transplantes no Paraná, que será apresentada no Aeroporto Afonso Pena. (Fotos: Divulgação)
A origamista autista Maria Izabel Corrêa Guiraud assumiu o grande desafio de produzir 4 mil dos tsurus de papel para a terceira edição da exposição “Histórias de Transplantes”, promovida pelo Hospital Angelina Caron (HAC), que será aberta no dia 21 de setembro, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Seu trabalho será a base de uma instalação composta por 5 mil tsurus, que irão representar as mais de 5 mil pessoas que aguardam pela oportunidade de receber um órgão ou tecido no Paraná. A ação integra o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, e marca também os 25 anos de atuação do hospital na área de transplantes. Além dos tsurus da artista, as demais peças serão feitas em uma oficina aberta à comunidade, promovida pelo HAC, com a participação de colaboradores, pacientes e acompanhantes.
Para Maria Izabel, cada peça reúne técnica, disciplina e significado. “Saber que meu trabalho pode dar visibilidade a essa causa me emociona, porque leva uma mensagem de esperança para as pessoas. O tsuru é um símbolo mundial de paz, esperança e saúde, e é emocionante pensar que minhas mãos podem ajudar a transformar papel nessa mensagem”, conta.
O encontro com o origami aconteceu ainda na infância, em momentos compartilhados com o avô e o pai. A brincadeira despertou o interesse pela possibilidade de transformar uma folha de papel em figuras, flores e animais. Mais tarde, a atividade também se tornou uma aliada para lidar com a epilepsia, por meio dos exercícios de concentração.
O fascínio não está apenas na peça pronta. Para a origamista, o percurso entre a folha lisa e a forma final exige paciência, criatividade e presença. “Acho fascinante ver como, com simples dobras, um papel vai se transformando em algo que antes existia só na minha cabeça, um pássaro, uma flor. Aos poucos, fui percebendo que, com mais papéis e dobras mais complexas, dava para ir além e criar arte”, comenta.
No desafio proposto pelo Hospital Angelina Caron, essas competências ganharam escala. Produzir milhares de peças semelhantes requer constância e organização, sem perder a precisão que dá identidade a cada tsuru. Maria Izabel desenvolveu uma rotina pautada por planejamento, foco nos prazos e persistência. “Está sendo desafiador, mas também uma experiência muito especial. Quando o desafio aparece, eu me organizo, mantenho o foco nos prazos, busco a precisão nas dobras e sigo até chegar ao resultado que eu quero”, explica.

Parte dos tsurus serão feitos em uma oficina aberta à comunidade, promovida pelo hospital, com a participação de colaboradores, pacientes e acompanhantes.
Ao convidar a origamista e a comunidade para construir a instalação, o Hospital Angelina Caron aproxima duas mensagens: a valorização das diferentes formas de criar e participar da sociedade e a urgência da conscientização sobre a doação de órgãos. O resultado será apresentado em um espaço de grande circulação, levando o tema para além dos corredores hospitalares.
Exposição
A exposição “Histórias de Transplantes” foi criada pelo HAC para colocar pacientes e famílias no centro da conversa sobre transplantes. Em vez de abordar a doação apenas por números, a iniciativa reúne relatos de pessoas transplantadas e chama atenção para a decisão que conecta duas famílias: uma que, em meio ao luto, autoriza a doação; e outra que recebe uma nova possibilidade de vida.
A experiência do hospital sustenta essa mobilização. Desde o início do serviço, em 2001, a instituição realizou 3.401 transplantes até 16 de agosto de 2026. Somente neste ano, até a mesma data, foram 98 procedimentos, incluindo transplantes de rim, fígado, coração, pâncreas-rim, córneas e medula óssea, além do transplante renal intervivos.
“Por trás de cada transplante existem duas famílias vivendo momentos profundamente diferentes: uma enfrenta a dor da perda e, em meio a ela, toma uma decisão de enorme generosidade; a outra recebe uma nova possibilidade de vida. É essa conexão que queremos tornar visível”, afirma Bernardo Caron, co-CEO do Hospital Angelina Caron. Segundo ele, falar sobre doação de órgãos dentro de casa é um gesto simples, mas capaz de mudar o destino de muitas pessoas.

A exposição “Histórias de Transplantes” foi criada pelo Angelina Caron para colocar pacientes e famílias no centro da conversa sobre transplantes.
No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora. Por isso, uma das principais mensagens da campanha do HAC é a importância de conversar previamente com familiares sobre essa decisão.
Quando os 5 mil tsurus ocuparem o saguão de embarque do aeroporto Afonso Pena, cada dobradura ajudará a tornar visível uma espera que envolve milhares de pessoas. “Temos a satisfação de abrir as portas do Afonso Pena para uma iniciativa que homenageia a esperança de quem aguarda um transplante, valoriza a trajetória dos pacientes transplantados e incentiva um gesto capaz de transformar vidas: a doação de órgãos”, afirma Éden Pisani Jr, gerente do aeroporto.
Serviço:
Exposição Histórias de Transplantes — Hospital Angelina Caron
Local: Aeroporto Internacional Afonso Pena — Saguão de Embarque
Período: 21 de setembro a 21 de outubro
