Quem é a candidata a deputada federal mais identificada com o Vasco da Gama nas eleições de 2026? Em uma eleição com vários nomes ligados ao futebol, uma candidatura tem uma relação bastante particular com o clube de São Januário: Tayane Gandra (PSDB), a Tayane Mãe do Gui, número 4511.
Tayane ficou conhecida nacionalmente como mãe de Guilherme Gandra Moura, o Menino Gui, que emocionou o Brasil em 2023 depois que viralizou o vídeo do reencontro entre mãe e filho após o garoto despertar de um coma induzido de 16 dias.
O DIÁRIO DO RIO acompanhou a história desde aquele momento, quando Gui ainda tinha 8 anos e acabava de receber alta depois de uma internação provocada por uma grave pneumonia.
Milagre de Itaguaí: nascido na cidade, Menino Gui acordou do coma após 16 dias
Mas a história de Gui rapidamente ganhou outro personagem: o Vasco da Gama.
Vascaíno apaixonado, o menino passou a frequentar o clube, criou vínculos com jogadores e acabou transformado em um verdadeiro símbolo da torcida cruzmaltina. O próprio Vasco passou a defini-lo como “torcedor símbolo” em suas publicações oficiais.
E Tayane esteve ao lado do filho em toda essa trajetória.
É justamente essa ligação familiar, pública e emocional com o Vasco que faz com que ela chegue à eleição de 2026 com uma identificação natural com uma parcela da enorme torcida cruzmaltina.
O Menino Gui e o Vasco
A ligação entre Gui e o Vasco ganhou força pouco depois de o garoto deixar o hospital.
Jogadores do clube se aproximaram da família, especialmente Gabriel Pec, que visitou Gui e passou a manter uma relação de amizade com o menino.
Depois disso, Gui tornou-se presença frequente no ambiente vascaíno.
Visitou o CT, encontrou jogadores, acompanhou partidas em São Januário e no Maracanã e passou a ser recebido pelos torcedores como uma espécie de amuleto do clube.
O próprio Vasco registra que os caminhos do clube e de Guilherme se tornaram especialmente próximos a partir de 2023 e que o menino passou a levar sua paixão pela Cruz de Malta aos jogos e ao cotidiano do elenco.
Com isso, a família Gandra acabou também se tornando conhecida da torcida.
Tayane deixou de aparecer publicamente apenas como a mãe que protagonizou um dos vídeos mais emocionantes de 2023. Passou a ser vista frequentemente ao lado de Gui justamente nos momentos em que o menino representava o Vasco.
O melhor torcedor do mundo
Essa história chegou ao ponto máximo em dezembro de 2024.
Gui foi indicado ao Fifa Fan Award, categoria do prêmio The Best destinada a reconhecer torcedores.
Concorria com histórias de aficionados pelo futebol de diferentes partes do mundo.
E venceu.
Em 17 de dezembro de 2024, o Menino Gui foi eleito pela Fifa o melhor torcedor do mundo.
A vitória teve um significado especial para o Vasco.
Ao comemorar o resultado, o clube agradeceu publicamente o amor de Gui pela Cruz de Malta e a forma como ele representava a torcida vascaína.
Não era mais apenas um torcedor conhecido em São Januário.
O menino cuja história começou com um vídeo gravado por sua mãe havia se transformado em um dos vascaínos mais conhecidos do planeta.
E foi Tayane quem esteve ao lado dele durante todo esse processo.
Do Vasco para uma causa muito maior
Mas seria um erro contar a história de Tayane Gandra apenas pelo futebol.
O Vasco ajudou a dar enorme visibilidade a Gui, mas a principal causa pública defendida por Tayane nasceu de uma questão muito mais séria: a epidermólise bolhosa.
Gui nasceu com a doença genética rara, que provoca extrema fragilidade da pele. Pequenos atritos podem causar bolhas e feridas, e os pacientes podem necessitar de curativos especiais e acompanhamento multidisciplinar ao longo da vida.
A rotina de cuidados fez com que Tayane se transformasse em uma defensora dos direitos não apenas do filho, mas também de outras pessoas que vivem com a doença.
Foi dessa atuação que surgiu uma das principais conquistas de sua trajetória antes mesmo de entrar para a política eleitoral.
Tayane ajudou a criar a Lei Gui no Rio
Em 2023, Tayane propôs por meio do LegislAqui, ferramenta de participação popular da Assembleia Legislativa, a criação de uma política estadual voltada às pessoas com epidermólise bolhosa.
A proposta chegou ao Parlamento e acabou dando origem à chamada Lei Gui.
O DIÁRIO DO RIO mostrou a sanção da Lei Estadual 10.142/2023, que criou o Programa Estadual de Assistência Especializada em Epidermólise Bolhosa na rede pública de saúde.
RJ sanciona ‘Lei Gui’, que garante assistência a pessoas com epidermólise bolhosa
A própria Alerj registrou oficialmente que a medida foi proposta por Tayane Gandra e encaminhada à Assembleia por meio do LegislAqui.
Foi uma demonstração concreta de que sua mobilização poderia sair das redes sociais e chegar à legislação.
A lei prevê atendimento especializado e multidisciplinar para pacientes com epidermólise bolhosa dentro da rede pública estadual.
Na época da sanção, Tayane destacou que a medida não beneficiaria apenas Gui, mas dezenas de pessoas que já estavam em tratamento no Estado do Rio.
Uma mãe conseguiu colocar uma doença rara na agenda da Alerj
Esse ponto é especialmente relevante para compreender sua candidatura.
Tayane ainda não possuía mandato.
Não era deputada, vereadora ou integrante da Assembleia Legislativa.
Era uma mãe levando ao poder público a experiência vivida diariamente dentro de casa.
A partir dessa mobilização, conseguiu ajudar a transformar uma doença praticamente desconhecida de grande parte da população em tema de política pública estadual.
É justamente essa experiência que Tayane procura usar como argumento para chegar a Brasília.
Se conseguiu contribuir para uma mudança no Rio sem mandato, a ideia agora é ter uma cadeira no Congresso para participar diretamente da elaboração das leis.
A luta chegou ao Congresso Nacional
A discussão sobre a epidermólise bolhosa não ficou limitada ao Estado do Rio.
Em outubro de 2023 foi apresentado na Câmara dos Deputados o PL 4.820/2023, assinado pelo deputado Saullo Vianna e por outros parlamentares, entre eles o deputado federal fluminense Marcelo Queiroz.
Outras propostas sobre o mesmo tema foram posteriormente anexadas ao projeto, inclusive uma apresentada por Marcelo Queiroz e Delegado Matheus Laiola.
O projeto cria uma política de atenção integral às pessoas com epidermólise bolhosa dentro do SUS e prevê uma pensão especial mensal equivalente a um salário mínimo para pessoas diagnosticadas com a doença.
Em 28 de abril de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o texto.
A proposta foi então encaminhada ao Senado Federal, onde permanece em tramitação.
É exatamente o Congresso para o qual Tayane agora tenta se eleger.
Da mobilização para a candidatura
Em março de 2026, Tayane Gandra filiou-se ao PSDB e teve sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados anunciada pelo partido.
A decisão significou transformar uma atuação que até então ocorria principalmente por meio da sociedade civil em uma candidatura eleitoral.
Sua primeira disputa nas urnas é justamente para deputada federal pelo Rio de Janeiro.
O registro eleitoral de 2026 apresenta seu nome de urna como Tayane Mãe do Gui, pelo PSDB, com o número 4511.
O próprio nome escolhido para a urna mostra que Tayane não pretende se afastar da história que a tornou conhecida.
Ao contrário.
Transforma sua condição de mãe do Gui na identidade central da campanha.
Por que tentar Brasília?
A escolha pela Câmara dos Deputados também faz sentido diante de sua principal bandeira.
Grande parte das políticas relacionadas a doenças raras, SUS, benefícios assistenciais, previdência e financiamento da saúde depende de decisões tomadas no plano federal.
O caso do PL 4.820/2023 é provavelmente o melhor exemplo.
Para criar uma pensão nacional voltada às pessoas com epidermólise bolhosa, é necessária legislação federal.
Para estabelecer uma política nacional de atendimento pelo SUS, o debate também passa pelo Congresso.
Ou seja, Tayane procura chegar justamente à Casa onde hoje tramita uma das principais propostas relacionadas à doença de seu filho.
A candidata do Vasco também é candidata das doenças raras
Essa é uma característica importante da candidatura.
O Vasco pode ser a identificação emocional. As doenças raras são a principal causa política.
Uma coisa acabou levando à outra.
A paixão de Gui pelo Vasco ajudou a projetar sua história para milhões de pessoas.
A projeção aumentou a visibilidade da epidermólise bolhosa.
E a visibilidade foi utilizada por Tayane para cobrar políticas públicas.
Assim, o futebol acabou funcionando como uma ponte entre uma história familiar e uma causa de alcance nacional.
Gui transformou visibilidade em conscientização
Quando o vídeo do reencontro com a mãe viralizou em 2023, poucas pessoas sabiam explicar o que era epidermólise bolhosa.
O DIÁRIO DO RIO, ao contar a história de Gui naquele momento, precisou justamente apresentar aos leitores as características da doença rara e genética.
Leia a primeira reportagem do DIÁRIO DO RIO sobre a história do Menino Gui
A projeção aumentou ainda mais depois da aproximação com o Vasco.
E a família passou a utilizar essa exposição para falar frequentemente sobre a doença, os custos dos tratamentos, os curativos e a necessidade de políticas específicas para quem convive com condições raras.
A Lei Gui talvez seja o resultado mais evidente dessa mobilização.
Tayane e Gui também viveram a violência na saída de São Januário
A relação da família com o Vasco também passou por um episódio traumático.
Em dezembro de 2023, depois de uma partida em São Januário, Tayane, Gui e familiares foram assaltados quando deixavam o estádio.
Segundo o relato feito pela própria Tayane e publicado pelo DIÁRIO DO RIO, criminosos apontaram uma arma para a família e levaram celulares, relógios e outros pertences.
Mãe do Menino Gui relata assalto traumático na saída de São Januário
O episódio também mostrou como a presença constante da família nos jogos do Vasco já fazia parte de sua rotina naquele momento.
Vasco e inclusão possuem uma relação histórica
Há ainda um componente simbólico nessa identificação.
O Vasco possui uma história marcada pela defesa da inclusão e pela presença de diferentes grupos sociais desde as primeiras décadas do futebol brasileiro.
A histórica Resposta Histórica de 1924, quando o clube se recusou a excluir atletas pobres e negros para participar da principal liga de futebol do Rio, tornou-se parte central da identidade vascaína.
Tayane chega à política defendendo justamente uma pauta de inclusão e atenção a pessoas que convivem com doenças raras.
Não significa que o clube esteja institucionalmente apoiando sua candidatura.
Mas ajuda a explicar por que uma plataforma voltada a dar visibilidade a pessoas frequentemente esquecidas pelo poder público pode encontrar identificação em parte da torcida cruzmaltina.
Um torcedor que virou símbolo mundial
Gui deixou de ser conhecido apenas como o menino que acordou depois de 16 dias em coma.
Virou presença frequente nos jogos.
Foi recebido pelos jogadores.
Transformou-se em símbolo da torcida.
E acabou reconhecido pela própria Fifa como o melhor torcedor do mundo em 2024.
Pouquíssimas famílias possuem hoje uma associação pública tão facilmente reconhecida com o Vasco quanto a de Tayane e Gui.
E é dessa história que nasce parte da força eleitoral de seu nome.
Então, quem é a candidata a deputada federal do Vasco?
Se a pergunta é qual candidata à Câmara dos Deputados chega às eleições de 2026 com uma história pública especialmente ligada ao Vasco da Gama e à sua torcida, Tayane Gandra é um dos nomes mais evidentes.
Ela é a mãe do Menino Gui, oficialmente tratado pelo próprio clube como um torcedor-símbolo do Vasco.
Foi Tayane quem gravou e divulgou o vídeo do reencontro que tornou o filho conhecido nacionalmente depois de 16 dias em coma.
Esteve ao lado dele quando o menino passou a frequentar São Januário, o CT e a conviver com jogadores.
Viu Gui ser escolhido pela Fifa como melhor torcedor do mundo em 2024.
E aproveitou a visibilidade adquirida pela família para defender uma causa que vai muito além do futebol.
Tayane foi a responsável por levar à Alerj a proposta que deu origem à Lei Gui, criando uma política estadual de assistência às pessoas com epidermólise bolhosa.
Leia no DIÁRIO DO RIO sobre a sanção da Lei Gui
Agora, enquanto uma proposta nacional relacionada à mesma doença tramita no Senado, ela tenta chegar ao Congresso para transformar sua experiência pessoal em atuação parlamentar.
O Vasco é parte inseparável dessa história.
Mas a candidatura de Tayane procura mostrar que por trás da camisa cruzmaltina está também uma mãe que aprendeu a mobilizar instituições, parlamentares e a opinião pública em defesa de pessoas com doenças raras.
Tayane Gandra, a Tayane Mãe do Gui, é candidata a deputada federal pelo PSDB no Rio de Janeiro, com o número 4511. O próprio DIÁRIO DO RIO a lista entre os candidatos da Federação PSDB-Cidadania à Câmara dos Deputados em 2026.
Veja todos os candidatos a deputado federal do PSDB-Cidadania no Rio em 2026

