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Jessica tatuou um teclado no braço para conseguir falar com o filho autista — NiT

Para Hunter, de 11 anos, a comunicação é feita através de um tablet que lhe permite selecionar palavras e símbolos. Mas, num almoço em família, uma falha no aparelho obrigou o rapaz autista não verbal a encontrar outra forma de se fazer entender — e deu à mãe uma ideia que acabou por se tornar viral nas redes sociais.

Jessica Fletcher estava a comer com o filho quando a bateria do dispositivo chegou ao fim. Ficou preocupada, mas o miúdo não pareceu incomodado. Pegou num guardanapo, desenhou um teclado e começou a apontar para as letras e símbolos para indicar o que queria dizer.

Foi nesse momento que a canadiana chegou a uma conclusão. “Percebi que não podia limitá-lo à tecnologia, porque a tecnologia também falha”, disse ao canal de televisão CTV News. Jessica partiu à procura de um tatuador e pediu-lhe que desenhasse um teclado no antebreço com letras, uma cara feliz, uma cara triste, “sim”, “não” e um botão onde se lê “I heart you” (“Amo-te”, em tradução livre).






Quando mostrou a tatuagem ao filho pela primeira vez, Hunter escreveu uma única palavra: “Mamã”. Desde então, aquela tornou-se uma ferramenta de comunicação usada entre ambos. Sempre que estão juntos e o tablet não está disponível, o rapaz toca nas letras do braço da mãe para dizer o que precisa. Isto também permite que tenham conversas silenciosas, sem que as pessoas à volta consigam ouvir.

A 8 de julho, Jessica partilhou um vídeo do filho a usar o teclado para comunicar. A publicação rapidamente viralizou nas redes sociais e ultrapassou os dois milhões de gostos, além de ter chamado a atenção de outras famílias com miúdos autistas que não falam.

“Quando eliminamos as barreiras à comunicação, estamos a dar às pessoas que não falam a oportunidade de nos mostrarem quem realmente são”, explicou Jessica ao mesmo canal do Canadá.

A ideia acabou por ultrapassar a família Fletcher. Os colegas de escola de Hunter também começaram a pensar em formas originais de comunicação. “Querem camisolas com teclados para poderem falar com ele no recreio, sussurrar e contar-lhe os seus segredos”.

Jessica associou-se entretanto a uma empresa de roupa para criar camisolas com teclados impressos nas mangas. A iniciativa também despertou o interesse de pais, enfermeiros, médicos e profissionais de emergência de vários países, que procuraram esta mãe para perceber como podem adaptar a ideia aos pacientes autistas com quem trabalham ou convivem.

Até tatuadores se ofereceram para fazer este tipo de desenho gratuitamente nos braços de outros pais. “Daria ao meu corpo mil cicatrizes se isso desse ao meu filho mais uma forma de comunicar”, disse a mãe.







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