NOVA YORK, 13 Ago (Reuters) – A Sport & Rights Alliance, uma entidade de defesa dos direitos humanos no esporte, pediu nesta quinta-feira que a Associação de Tênis Feminino (WTA) revogue sua política de testes de sexo, classificando-a como uma medida discriminatória no esporte.
O circuito de tênis feminino anunciou no mês passado que exigiria que as jogadoras passassem por um teste genético único para o gene SRY, que ajuda a determinar o sexo biológico e pode ser realizado por meio de um esfregaço bucal ou exame de sangue.
“A WTA pode alegar que não tem a intenção de causar danos, mas boas intenções nunca apagarão o estigma e o trauma que mulheres e meninas sofrerão devido aos testes de sexo”, disse Andrea Florence, diretora executiva da Sport & Rights Alliance, uma coalizão de grupos de defesa de direitos humanos no esporte.
A Reuters não conseguiu entrar em contato imediatamente com a WTA para obter comentários.
A medida foi tomada depois que o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou, em março, que apenas atletas biologicamente do sexo feminino, cujo gênero tenha sido determinado por um teste único, seriam elegíveis para participar de eventos da categoria feminina nos Jogos Olímpicos.
“A WTA elaborou às pressas uma política que não promove os direitos das mulheres e meninas, mas, ao contrário, prejudica a segurança e a dignidade de todas as pessoas no circuito”, disse Lily Dong Li Rosengard, especialista sênior em defesa de direitos da ILGA World, um grupo de defesa da comunidade LGBTQ.
“Apesar de nenhuma mulher trans assumida estar competindo atualmente no nível profissional, todas as tenistas, sejam mulheres ou meninas, agora terão que ‘provar’ seu gênero apenas para que a WTA possa garantir que elas nunca joguem.”
A medida de testes de sexo surgiu como um tema central no início do Aberto do Canadá, com a bielorrussa Aryna Sabalenka, número um do ranking, apoiando a política.
A norte-americana Coco Gauff, duas vezes vencedora de títulos de Grand Slam, disse que apoia a justiça nos esportes femininos, mas teme que a medida tenha gerado animosidade contra a comunidade trans.
(Reportagem de Amy Tennery, em Nova York)
